Emmathomas quer diversidade

O versátil Ricardo Resende une-se ao múltiplo Marcos Amaro em fundação e na nova galeria Emmathomas

Paula Alzugaray
Obra de Gilberto Salvador, um dos artistas representados pela Emmathomas (Foto: Divulgação)

Ricardo Resende está entre os mais ativos profissionais do mundo da arte hoje. Coordenador do Projeto Leonilson, diretor do Centro Cultural São Paulo e curador do Museu Bispo do Rosário, Resende acumula agora o cargo de diretor artístico da galeria Emmathomas e da Fundação Marcos Amaro. “Quero aumentar o segmento das artes visuais no Brasil. A Emmathomas faz parte dessa estratégia. Assim como o Prêmio de Arte Marcos Amaro em parceria com a SP-Arte, os editais da Fundação, minha produção como artista, o acervo entre outras coisas”, diz Marcos Amaro à seLecT.

Criada em 2006 por Juliana Freire e Flaviana Bernardo, a Emmathomas foi adquirida por Amaro em meados do ano passado. Entre os planos declarados do novo proprietário, ampliar o público e expandir o negócio para outros continentes. “Direção artística é uma função que nem toda galeria tem, é o sonho de consumo de toda galeria”, diz Ricardo Resende, que não se envolverá com a função de vendas na Emma Thomas.

A nova galeria inaugura em 10 de abril no térreo de um edifício comercial da Alameda Franca, nos jardins paulistanos. O corpo de 16 artistas representados já estava definido antes da chegada de Resende.

Entre eles, Gilberto Salvador, da geração pop, em atividade; o artista urbano Mundano, que se tornou um ativista da reciclagem com o projeto Pimp My Carroça, com catadores; a ceramista e designer Kimi Nii, o fotógrafo Armando Prado. Da formação original da galeria, participam Alan Fontes (MG) e Paula Klien (RJ).

“Haviam muitas restrições ao fato de a galeria trabalhar com vertentes e gerações distintas. A diversidade é um risco que a galeria corre, mas esse é justamente nosso diferencial”, diz Resende à seLecT.

As atribuições de Resende não param por aqui. Ele também assume o cargo de curador chefe da Fábrica de Arte Marcos Amaro (Fama) e do projeto Mescla, um museu de arte latino-americana a céu aberto, ambos em Itu, no interior de São Paulo.

A Fama está instalada em uma antiga fábrica de tecidos, um edifício tombado de 20 mil m² de área construída, em Itu. A fundação tem editais para residências artísticas e projetos expositivos. No edital 2018/2019 foram contemplados seis artistas, entre eles Regina Parra e Edith Derdik, que inaugura uma instalação no sábado, 14 de abril.

O objetivo da dupla Amaro e Resende é formar uma rede de instituições e fomentar arte no interior do estado. Uma parceria com o MAC Campinas já foi criada. “É uma parceria, uma troca”, diz o curador. “A Fundação Marcos Amaro apoiou a readequação da reserva técnica do Museu Bispo do Rosário. Ano passado não tivemos nenhum edital que costumava ajudar na sustentabilidade dos museus públicos. Nem Funarte, nem edital da prefeitura”.

Para versatilidade de Resende, vale a multiplicidade de Amaro, que é artista, colecionador, fomentador e empresário. O filho do fundador da TAM, o comandante Rolim, hoje dirige a holding das empresas V2 (investimentos) e LogBrás (logística). Tem uma coleção formada por arte moderna e contemporânea e tende a adquirir obras de artistas que dialogam com seu trabalho artístico pessoal, realizado em metal, sucata, ferro e “matérias pesadas que nas mãos do artista buscam a leveza”, segundo Ricardo Resende. Entre suas últimas aquisições, nada menos que o New Look, ou traje tropical, usado por Flávio de Carvalho em sua Experiência nº3.

Além disso, a Fundação Marcos Amaro é patrocinadora dos módulos educativos das feiras SP-Arte e PARTE. Ano passado, criou o Prêmio Marcos Amaro SP-Arte, que premia uma obra exposta na feira que se destaque no fator risco e experimentação. Em 2017, Ivan Grillo levou os R$ 25 mil. O júri de 2018 é formado por Lisette Lagnado, Agnaldo Farias, Gilberto Salvador, Ricardo Resende e Marcos Amaro.

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