Entrevista Cleusa Garfinkel

Marion Strecker

Publicado em: 04/11/2013

Categoria: Especial Mercado de Arte, Mercado de Arte

“Se você vai gastar R$ 100 mil numa obra para sua coleção, o que custa comprar uma de R$ 10 mil para o museu?”, questiona Cleusa

Cleusa_garfinkel

Legenda: Cleusa Garfinkel, foto Bob Wolfenson

Entrevista parte da série especial Mercado de arte

Há quanto tempo você faz doações para museus?

Há cerca de 6 ou 7 anos.

Para quais instituições você costuma doar?

Para o MAM-SP, através do Núcleo Contemporâneo, para a Pinacoteca do Estado, durante a IFEMA [Feira de Madri], da Arco, e para o MoMA de Nova York, quando algum artista brasileiro faz exposição por lá.

Os museus retribuem de alguma maneira às suas doações? Seu nome aparece quando você faz doações?

Às vezes eles colocam seu nome. Na Arco tem um lugar separado para convidados, eu tenho uma mesa no meu nome para 10 pessoas. No MoMA sempre ganho convites VIP para os eventos, meu nome entra como apoiadora, é bacana para mostrar que se pode ajudar. A Fernanda Feitosa, sempre muito gentil, coloca a doação com plaquinhas nas obras, sempre tem o meu nome.

O que levou você a fazer doações?

Eu sempre participei e ajudei de outras formas. Há 15 anos ajudei alguns artistas, organizava exposições, fazia o folheto, o coquetel etc. Depois achei que era melhor doar para museus, que é algo que vai ficar para o futuro. Ajudar artista novo é sempre aposta. Não que não mereça, mas museu é mais efetivo, perdura e alcança mais gente.

Quanto você já investiu em doações?

Não mais que R$ 500 mil.

Quem escolhe as obras que você doa?

Os curadores das instituições para as quais eu doo. Por exemplo, no MAM vamos sempre em trio, eu, a Flavia Velloso, coordenadora do Núcleo Contemporâneo [iniciativa do museu pela qual ela doa as obras] e o Felipe [Chaimovich, curador do MAM]. Escolhemos cerca de vinte obras dentro de um teto estipulado anteriormente, fazemos uma reunião, reduzimos a dez obras e depois de outra reunião fechamos em uma escolhida final. Nas outras instituições, o processo é o mesmo: sempre com o curador.

Em que medida as obras escolhidas coincidem com seu gosto pessoal?

Às vezes, quando escolhemos uma obra para uma instituição, acabo comprando uma do mesmo artista para minha coleção. Mas eu não vou me impor em uma obra, a escolha tem que seguir a linha do museu, não a minha. O curador é a melhor pessoa para decidir, é ele quem sabe quais obras são importantes para o museu ter. Às vezes uma das obras selecionadas na primeira leva, que não é a escolhida final do museu, acabo comprando para a minha coleção.

Você aproveita então a opinião avalizada do curador da instituição para pegar dicas boas para a sua coleção?

Não é pela opinião avalizada do curador, não, é por gosto pessoal mesmo. Por exemplo, havia umas pinturas lindas do Eduardo Berliner que eu acabei comprando para mim porque eram lindas mesmo. Antes de ontem (27 de agosto), eu fui à casa da Luisa Strina, que tem uma coleção linda, e ela estava me perguntando da minha coleção, que ela considera também muito boa, perguntando como eu faço para comprar. Eu disse: Sou completamente aloprada. Eu gosto, eu compro. Depois vejo no que dá no futuro. Às vezes eu troco depois. Eu faço comodato na casa do meu filho, da minha filha, vou pondo obras lá. Mas quando eu tiver a minha fundação, reúno tudo novamente.

O que poderia ser feito para estimular as doações aos museus?

A pessoa tem que sentir aquela coisa do “por que não?”. Por que não doar uma obra para uma instituição? Eu sempre digo: você vai gastar R$ 100 mil numa obra para a sua coleção pessoal, que custa comprar uma obra de R$ 10 mil para o museu? Você está fazendo um investimento na cultura do país e ajuda o museu a se manter. Sempre falo para as pessoas que estão comigo para ajudar e o pessoal responde: “Ah, mas depois vão ficar pedindo muito”. Eu acho isso uma bobagem. Quando você entra na exposição e tem um acervo tão maravilhoso, eu me sinto gratificada, é muito bom, me sinto compensada. Enquanto eu estiver colecionando, vou continuar contribuindo com as instituições.

Próxima entrevista: Júlia Rebouças

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