Fala Fausto Fawcett

O escritor e compositor falou para seLecT sobre sua relação com o lado marginal de Copacabana para a edição especial sobre o Rio de Janeiro

Luciana Pareja Norbiato

Publicado em: 31/03/2016

Categoria: Da Hora, Entrevista

Fausto Fawcett é o observador privilegiado da cena underground de Copacabana. Só de Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, musa e marca registrada que lhe rendeu notoriedade do Brasil ao exterior, já se vão 30 anos. Mas a louraça belzebu é só a primeira página de uma coleção de personagens de decadência cybermística que desfilam por suas linhas distópicas, transportando para um futuro fantástico o passado e o presente da Princesinha do Mar. Para a edição 29 de seLecT, protagonizada pelo Rio de Janeiro, Fawcett conversou com a revista sobre sexo, drogas, rock’n roll, seu amor pelo underground da Cidade Maravilhosa e sobre seu último livro, Favelost (2012), que já esquenta os tamborins para novidades editoriais prestes a sair do forno ainda neste ano. Sua escrita nesta entrevista, aliás, se confunde com trechos de Favelost, a distopia em que São Paulo e Rio de Janeiro tornam-se uma só cidade pela junção desgovernada de suas periferias. Com a palavra, Fausto Fawcett.

De que forma sua trajetória pessoal se confunde com a temática dos seus textos e, consequentemente, com sua visão do Rio de Janeiro? Fale mais do seu interesse pelo submundo carioca, numa época em que o pop e o rock eram dominados pela New Wave e pela irreverência da moçadinha da Zona Sul.

Gilberto Gil sempre disse que a Bahia lhe deu régua e compasso pra vida inteira. Gosto de dizer que Copacabana me deu a papelaria inteira, me preparando pra várias overdoses de vivências e surpresas existenciais . Meus textos, meus temas, minha escrita estão ligados à alquimia peculiar de sub mundos e clandestinidades, escritórios, clínicas, consultórios, praia, montanha, todo tipo de gente , todo tipo de serviço, todo tipo de polícia e bandidagem e paisagem imobiliária muito concentrada em quatro quilômetros e pouco de Copacabana. Morei numa rua que tinha quatro boates, uma loja de macumba, confeitaria, boteco, jogo do bicho, lavanderia, etc. Tudo bem isso é normal em qualquer grande cidade, mas o detalhe é: quatro boates botando fogo nas madrugadas, ou seja, de manhã, quando eu ia jogar bola com meus amigos na rua, depois de limparmos os cacos de garrafas que eram jogadas pra tentar silenciar as confusões, quem ficava de goleira? As meninas da noite, putinhas no gol sempre. Domingo tinha Esquadrilha da Fumaça voando baixo e eu adorava aquela sensação de desastre ou bombardeio. Estátuas de pomba-gira e lojas de ferragens, papelarias e lojas de equipamentos cirúrgicos, e pra mim tecnologia sempre foi meio suja, de gambiarra, pra botar no sangue do corpo das vísceras- ferramentas – pra mim, eram vísceras à deriva, metálicas e plásticas, minha visão tecnológica sempre cronemberguiana, burroughsiana, bispo do rosariana… Como você vê, nunca precisei de cyberpunk pra lidar com a volúpia tecnológica e de uma forma bem Terceiro Mundo. Putaria , bagaceira de basfond com máquinas bizarras e gente se misturando, se fudendo, se ajudando, se reproduzindo, se perdendo, se matando, se gritando, se envenenando, se colocando para cima ou pra baixo… Meus livros e textos são sempre extensão disso que, na verdade, é a vida geral nas grandes cidades – e a mão que balançou o berço disso tudo foi Copacabana. Me preparou pra Nova York, Bombaim, Hong Kong, Moscou… Me preparou pra pangeia urbana atual, pra volúpia terrível dessa pangeia. Areia de silício que vai dar em aplicativos? Praia. Um grão de areia contém o universo? Praia. Pedra que te humilha pela antiguidade da terra? Pão de Açúcar bem ali, Morro dos Cabritos bem ali. Babilônia bem ali. Concentração urbana, vertigem humana em pouco espaço, precariedade de convívio social, mas que mantém o ritmo suficiente de se aturar um ao outro? Fauna humana meio gente , bicho, animal, meio maquina, robô? Sacanagem em cada esquina? Sexo e desejo e paixão e crime? Vitalidade amoral? Santa Clara Poltergeist, Copacabana Lua Cheia, Básico Instinto, Favelost e vem aí Cachorrada Doentia.

Hoje, num momento pós-drugs, de que forma esse mondo cane entra no seu cotidiano? 

De duas formas: pela memória, que funciona como um aplicativo que me faz sentir, reviver detalhes da bagaceira deliciosa que vivi por vinte e cinco, trinta anos, bagaceira deliciosa – e suicida, claro. Bom, continuando… pela memória, pela qual eu puxo a ficha corrida de ocorrências boêmias e sexuais, e vida de rua e esquinas existenciais habitadas por todo tipo de maluco e beatnik de ocasião fazendo jus à noite, tarde, manhã desse bairro cheio de tradição de boates e vida noturna, e clandestinidade camuflada, situadas entre classe média e ricos da Avenida Atlântica, e pobres chegando do Brasil profundo pra ver como se davam no litoral, enfim… A memória funcionando como uma caixa preta de vivências que sempre me auxilia e me dá um freio quando a grande fera alcoólica começa a se mover por algum motivo dentro do meu peito, muito a fim de sair e descaralhar pelas ruas. Vivência transformada em aplicativo que aciono pra trabalhar.

A outra forma do mondo cane que se manifesta é a óbvia vida nas grandes cidades, onde, em termos econômicos, as drogas aparecem, segundo esses relatórios exótericos, mas sempre muito interessantes sobre as camadas de poder econômico mundial; segundo um desses relatórios, reza a lenda que drogas são a principal fonte de movimentação financeira à frente até do petróleo, o grande magnata das preocupações industriais e desenvolvimentistas mundiais. Digo isso porque se, do ponto vista financeiro, o PIB clandestino manda mais do que o oficial, dá pra imaginar as consequências dessa situação. Tudo o que está ligado aos submundos já não é tão sub-mundo assim, e o mondo cane já é de certa forma chapa branca, seja no quesito Coliseu de diversões e realities e sensacionalismo e redes sociais e a velha sede de sangue e sexo e amor alucinado e fofocas e violência e decadências e fantasias bizarras que todos temos; seja no quesito, como já disse, precariedade geral social. Mondo cane é tudo e deveria rolar um decreto, um ato institucional de teor existencial: tal dia será doravante o Dia da Raiva, o Dia da Fúria, pois estamos precisando muito mais de quinze minutos de fúria do que de fama hoje em dia. Uma data pra sociedade fazer não um panelaço, mas um uivaço de quinze minutos com as fontes de energia desligadas, tudo às escuras e as cidades uivando, e a população se caçando, se mordendo. Somos todos definitivamente mondo cane e sempre estive, estou, estarei muito atento a isso.

Como você resumiria o Rio de Janeiro em um parágrafo?

Resumiria numa expressão que já esta consagrada no hino informal composto por mim, Fernanda Abreu e Laufer, Rio 40 Graus. Ou seja, purgatório da beleza e do caos. Na sequência ainda digo que o Rio é uma cidade maravilha mutante, capital do sangue quente do melhor e do pior do Brasil, cidade sangue quente maravilha mutante, o Rio é uma cidade de cidades misturadas, camufladas, escondendo comandos.

Na real você pode se apropriar desses dizeres para quase todas as metrópoles e mega cidades do Terceiro Mundo (ainda gosto de usar essa designação, tem um quê de ficção científica trash e faroeste idem), pois nelas a beleza que podemos assinalar como paisagens naturais, paisagens sociais interessantes, faunas humanas desconcertantes, culturas milenares ou com aspectos musicais, culinários, arquitetônicos, filosóficos, religiosos, tecnológicos, científicos, totalmente magníficos e magnetizantes, bem, você terá esses aspectos culturais ou geográficos naturais envolvidos, perturbados, estragados por um caos de políticas equivocadas, mal intencionadas, desleixadas por um caos de ambientação, ocupação urbana já famosos pela sua desenfreada bagunça, gerando concentrações barra-pesada de favelas e precariedade, insalubridade social perigosa, enfim, beleza e caos na verdade se fundem para gerar uma vitalidade periférica, uma volúpia urbana de terceiro mundo que é muito, mas muito foda em termos de inspiração profunda para uma contundente reportagem existencial, ensaios críticos sobre as nuances do capitalismo definitivo que avança sobre nossos corpos e mentes cada vez mais via próteses, aplicativos e veias tornadas comerciais, e imaginários cada vez mais violentos, maquinais e viscerais na sua demência e Graça. Vitalidade que fornece um arsenal infinito de ideias para textos de teor estranho e bizarro que são os únicos que podem tentar dar conta, ou melhor, dialogar com a Volúpia Terrível que envolve todos nós na superurbanidade mundial – e nós brasileiros somos a Subúrbia dessa situação.

Purgatórias todas essas cidades são, com talvez algumas peculiaridades. São Paulo, por exemplo, é o purgatório no Brasil da riqueza e do caos – que, cá entre nós, ele, o caos está sempre na frente e dá ao Brasil esse clima de abismo que nunca chega, parece que vai alcançar algum patamar de nação desenvolvida ou encaminhada para uma bonanza protagonista e… nada. Mas o contrário também merece reflexão. Parece que o país em vários momentos vai arrebentar-se num fundo de poço e assumir sua condição de resto social do mundo, ponto esquecido da aventura humana e… nada disso. Se recupera nalgum aspecto e vamos seguindo… abismo que nunca chega. Condenados à vertigem social e existencial pesada.

Purgatórios da beleza e do caos. De certa forma, extensão do que somos. No primeiro mundo é só inverter: eficiência e cuidadoria social e tecnológica com guetos de caos e terrorismo.

O que te incomoda na visão do Rio de Janeiro como cartão-postal?

O que me incomoda é o mesmo que me incomoda no Brasil como um todo. Me incomoda o cartão postal mesmo não ser bem cuidado, pois se a tal indústria turística funcionasse no Rio (município sobre o qual estamos discorrendo) nem precisaria de indústrias, digamos, modernas, no sentido de fábricas e antiguidades desse tipo. Turismo e alta tecnologia de inovações e robóticas e engenharias moleculares e genéticas e neurocientíficas, enfim, o trivial simples do que manda a cartilha atual de prosperidade econômica. Isso em relação ao cartão postal, que deveria ser multiplicado e agigantado. Baía de Guanabara pagando esse mico depois de trinta e cinco anos de promessas de limpeza… dengue idem desde 1986… atrasos legislativos com vereadores e deputados, como noutros lugares do país, imbuídos de atrasos e venalidades pesadas, contribuindo para capitanias hereditárias, coronelismos, enfim, comandos de comandos que não só no Rio, mas no Brasil todo, caracterizam as politicagens e o fim da política tradicional no mundo inteiro, etc…

De outra perspectiva, aquela mais tradicional “cartão postal antropológico” de uma alegria, de uma felicidade, samba, praia, natureza, futebol, cerveja, carnaval, malandragem, aquela conhecida macumba pra turista que tem em todo lugar, mas em lugares como o Rio, que é referência de um país, isso fica mais gritante. Essa macumba pra turista há muito tempo está abalada, está perturbada pela tal precariedade, pela agressividade que tomou conta do humor carioca, que ficou cheio de sarcasmo ferino – ainda muito receptivo, muito acolhedor em vários aspectos, mas já conturbado pela situação de alerta geral, insanidade à espreita, cachorrada doentia cercando o cotidiano de todos.

Outro fator importante é o Rio, como outras cidades pelo mundo, ter virado uma cidade-evento – só que evento pra lucro de poucos, sem a extensão de benefícios e legados pra população. A festa sempre acontece de forma brilhante, porque nesse aspecto o carioca é foda, e festa, evento, multidão acontecendo, isso sempre rola bem – com problemas, é claro, mas sem sangrias desatadas, pelo menos até agora. Mas cidade-evento que não usufrui de uma continuidade não adianta nada. É curtição efêmera e pronto.

Tudo que acontece no perímetro urbano do Rio vira cartão postal essa é que é a verdade. Cartão postal de beleza e de caos. E a tal macumba pra turista já tem varias nuances, já que turismo social, faveloso, rola, turismos variados e clandestinos rolam. A tal alegria do carioca tem mais a ver hoje em dia com a tal vitalidade agressiva , vontade de viver na raça, libido testada a todo momento.

Kátia Flávia nasceu música, teve sua história contada inteira no livro Básico Instinto e é quase tão famosa quanto a Garota de Ipanema, de Tom e Vinícius. Praticamente ganhou vida própria. Se ela tivesse envelhecido, como estaria hoje? As pessoas ainda te abordam pra falar dela? Que mulheres são Kátias Flávias da vida real?

Não nego o orgulho de ter recolocado no mapa do imaginário pop nacional, mesmo por um tempo, Copacabana, que andava ali pelos anos 1980 esquecida ou reduzida a um estereótipo de decadência que eu fiz questão de dizer que era apenas uma camuflagem para o imenso point urbano, humano que acontece no bairro. A outra coisa foi uma gostosona bandida na boca do povo, maldita querida e fêmea cheia de poder – e poder marginal – na boca do povo. Louraça virou um adjetivo definitivo. Pra mim é como se ela fosse meu Batman, é pra sempre e vai inclusive virar filme neste ano – pelo menos é o que está previsto, coincidindo com os 30 anos do estouro da personagem.

Com certeza ela estaria no ponto de bala da beleza cinquentona que grassa por esse mundo hoje em dia. Gostosona vivida, talvez viúva negra, talvez empreendedora de que aplicativos eróticos? Figura de um jet set oculto ? Com certeza, quantas não existem por aí, conhecedoras de camadas de vida social, desde a marginalidade barra pesada até a oficialidade barra pesada, até a riqueza sinistra e suas capilaridades, suas entranhas suspeitas?

Empresária multilfex ou colecionadora de ossos raros? Te garanto uma coisa: ela sempre será uma espiã dupla da vida na Terra, jogando em vários lados. Fêmea sorrateira não é de brincadeira. Só de jogos vorazes.

Outro prazer é esbarrar com gente que colocou o nome de Kátia Flávia nas filhas, com as próprias me dizendo “foi você o culpado e eu adoro”, louras cheias de onda porque o Belzebu, o Lúcifer, o Satanás passou por cima da futilidade e da burrice platinada.

Jogar um personagem pra sempre no imaginário popular é muito bom. Com o filme, espero que isso seja sacramentado de vez.

Como você se vê em relação à cena literária/musical do Rio na atualidade?

A verdade é que eu continuo com uma trajetória muito peculiar, muito própria, tanto no que diz respeito à literatura quanto a trabalhos, performances musicais. Posso dizer que estou bem situado, fazendo o que quero, da maneira que quero, quando quero e com pessoas sempre muito certeiras no que diz respeito a competência e criatividade. Continuo sendo um antropólogo informal, um visionário no sentido de visões, imaginações mesmo, com uma marca registrada de fantasia, uma Coca-cola interior cheia de gás, e eu empresto, inoculo, jogo, alugo, uso essa visão em textos, primordialmente, que se espalham em letras de música, teatro, roteiros, etc..   Ao contrário do que muitos dizem por aí, que o legal é não ser autor, digo que assinatura é tudo, o ego sempre vai se dissolver na matéria em movimento, pois isso é mais forte que tudo; por isso mesmo, ter autoria, personalidade e assinatura é imprescindível mesmo, num mudo movediço, engolidor e diluidor de tudo, como o que vivemos. Eu me situo na minha assinatura e ela esta cada vez melhor com a força da idade.

Quais foram seus ídolos e inspiradores, tanto no Brasil quanto fora?

Costumo dizer que tenho quatro pontos cardeais na minha vida: Copacabana, Rolling Stones, louras e Fluminense.

Poderia desenvolver um ensaio gigante sobre o que esses quatro itens significam pra mim e pro mundo (pelo menos Copa, louras e Rolling Stones), e os assuntos que eles evocam, os desdobramentos que eles proporcionam, e aí mergulharíamos numa vertigem cultural e urbana geral, mas também, é claro, particular de minha vida – e não é o caso. Só posso te dizer que, acima de serem ídolos, são pistas de vivência esses quatro pontos. E, como os mosqueteiros que eram três, mas eram quatro, aqui existe um pentagrama, e o quinto elemento é a literatura, claro – de preferência a mais delirante, a mais mitologicamente contundente, a mais voluptuosa em termos de escrita e de perturbação existencial.

Meus ídolos-totens-liquidificadores-de-tabus sempre foram lugares de urbanidade agressiva: na música fui de Caetano e David Bowie a Raul Seixas e James Brown; na literatura, de Paulo Leminsky a Anthony Burgess, James Joyce, Guimarães Rosa, Dante, os clássicos todos, Aldous Huxley, Lautréamont, Henry Miller, Baudelaire, Rimbaud, Nietzschze, Burroughs, Roberto Piva, Haroldo de Campos, Blake, muitos quadrinhos; e televisão e cinema, de Jane Fonda a Darlene Glória, Debbie Harry, Scarlet Johansson, e Samarone, Fred, Rivelino, Edinho; enfim, diria que não tive ídolos, mas sim um monolito híbrido, totem mestiço feito de camadas de muita gente boa, artística ou não.

Sobre Favelost: de onde surgiu a ideia de juntar Rio e SP pelas periferias e como foi o processo de escrita do livro, que desembocou numa distopia cyberpunk orgiástica?

Duas coisas sempre me guiaram a partir do momento em que eu resolvi escrever sobre o que rola à minha volta e, consequentemente, dentro da minha carcaça humana: a humanidade – encarada como uma mistura de animal e máquina, impulsionada pelos delírios da razão, pelos delírios dos desejos, pelos delírios da paixão, pelos delírios afetivos, devidamente exacerbados pelo ambiente mega urbano de teor capitalista definitivo – e sua cereja do bolo, a tecnologia, transformando o mundo e nós mesmos em parques temáticos e quintais de próteses. O humanismo encurralado sempre foi e será meu tema. Encurralado entre o animal e a máquina. Básicos instintos sendo cutucados por tecnologia. Todo Jetson tem dentro de si um Flintstone, e pra mim é como no filme 2001, quando o primata lança um osso pra cima e aparece uma espaçonave. Não acredito em progresso dos humanos, não acredito em história rumo a uma felicidade utópica, não acredito no ser humano como algo que vai funcionar plenamente algum dia. Somos um ensaio mamífero rumo a não se sabe o que, movidos por surtos de rapina e solidariedade. E uma vontade de recriar a natureza.

Favelost é, de um lado, a concentração de todos esses assuntos, que eu já explorava noutros livros; e, por outro, uma imagem que as manchas urbanas que rolam pelo mundo já corroboram: cidades infinitas surgindo da união de vários perímetros urbanos. Rio e São Paulo juntas é questão de tempo. Supergueto de capitalismo exacerbado num cenário faveloso de vila medieval e cheio de fundamentalistas que não aguentam a barra das proliferações, das promiscuidades, dos hibridismos, das sinergias e saturações que caracterizam nossa vida hoje em dia.

E minha escrita será sempre um rap de groove textual, pois é o que dá o ritmo de captação e urgência do que acontece por aí.

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