Entrevista Jac Leirner

Marion Strecker

Publicado em: 24/10/2013

Categoria: Especial Mercado de Arte, Mercado de Arte

“Existe arte de qualidade extrema que não chega ao mercado. E arte de qualidade duvidável sendo vendida como joia rara”, diz Jac Leirner

Jac

Legenda: Jac Leirner, foto Bob Wolfenson

Entrevista parte da série especial Mercado de arte

Você sabia que ia fazer o sucesso internacional que faz hoje?

Não. Pensava e projetava em sonho a eventualidade de um dia talvez, quando bem velhinha, participar de uma Bienal de Veneza.

Você passou um tempo sem galeria. Poderia contar como aconteceu?

Meu parceiro e dealer Marcantonio Vilaça morreu. A Karla Meneghel, sua então sócia e minha querida, também estava deixando a galeria. Não podia conceber a ideia de continuar trabalhando no mesmo lugar sem a presença dos dois. Alessandra e Márcia, atuais proprietárias (geniais) da Fortes Vilaça, insistiram para que eu ficasse mas não consegui. Não me pareceu justo continuar lá por pura osmose. Afinal, elas eram novas aqui, não tinham experiência nenhuma com galerias ou com o mercado, eu não as conhecia. E eu já era uma senhora, nesse sentido. Coloquei minha cabeça a prêmio esperando que galeristas conhecidos e íntimos de meu percurso paulista me chamassem, mas isso não aconteceu. Cinco anos depois a Maria Baró e o Oscar Cruz me convidaram para trabalhar com eles. Fui. Vivemos bem nos anos que se seguiram.

É possível ser um artista e não trabalhar com galerias?

Sim, é possível. Arte e mercado são coisas completamente diferentes, mas que tangem na circulação, nos desdobramentos de valores. São dados fundamentais para que a arte se faça presente no mundo. Mas o artista é um ser que também pode ser livre dessas amarras específicas.

Na sua visão, qual o financiamento ideal para o trabalho do artista?

Dar-lhe meios para que possa ter tempo e lugar para pensar, trabalhar, experimentar. Viver bem, cercado das linguagens e parceiros que lhe cabem.

Você vê diferenças importantes entre o mercado no Brasil e o mercado no exterior? Se sim, quais?

A diferença está na escala e na idade. Nosso mercado é minúsculo diante dos mercados no Primeiro Mundo. E somos crianças vorazes (não mais bebês) em relação a senhores talvez um pouco cansados.

O que a qualidade da arte tem a ver com o preço da obra no mercado?

Tudo ou nada. Cada caso é particular, circunscrito em uma série de fatores. Existe arte de ponta, de qualidade extrema, que não chega ao mercado. E existe também arte de qualidade duvidável sendo vendida como se fosse uma joia rara. É muito comum essa discrepância.

Próxima entrevista: José Olympio Pereira

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