Entrevista Lisette Lagnado

Marion Strecker

Publicado em: 01/11/2013

Categoria: Especial Mercado de Arte, Mercado de Arte

“Não acho que o curador deva ficar indiferente ao mercado, pelo contrário! Deve ficar bem atento para não repetir os usual suspects em sua lista”, diz Lisette

Lisette

Legenda: Lisette Lagnado, foto Bob Wolfenson

Entrevista parte da série especial Mercado de arte

Qual a relação que o curador deve manter (ou não manter) com o mercado?

Não acho que o curador deva ficar indiferente ao mercado de arte, pelo contrário! Deve ficar bem atento para não repetir os “usual suspects” (do mainstream) em sua lista. Por isso a necessidade da pesquisa, não necessariamente para revelar nomes “novos” (os próximos a serem consumidos pelo mercado), mas para recuperar figuras que aguardam um reconhecimento histórico. Curador e crítico podem ser remunerados por uma galeria, sem problema, prestando serviços. Há várias frentes de trabalho curatorial e um deles consiste na formação de coleções (privada ou pública). É uma tarefa que requer talentos específicos que nem todo mundo tem: traçar um perfil para as aquisições, saber administrar um orçamento (o cliente sempre gosta de achar que fez um “bom negócio”), garimpar obras difíceis (raras) ou da melhor fase do artista etc.

Quais as fronteiras entre a ética e a falta de ética na profissão?

Exemplos de falta de ética (é diferente de ser antiético) são encontrados quando os papéis entre instituição e mercado se confundem. Se estes papéis estiverem claros, não vejo problema. Para mim, a dificuldade de definir o que é antiético hoje provém do fato de que a instituição (leia-se museu, fundação e centro cultural, escola e universidade) recebe uma cobrança para justificar resultados traduzidos em números – público versus investimento -, e o mercado se propõe uma missão institucional, como as feiras de arte com “projeto educativo”. Problemático é ser curador de uma galeria (sim, esta função existe e é respeitada como tal) e resenhar sua própria exposição ou programação da galeria; dirigir uma instituição com dinheiro público que atende os interesses de uma galeria comercial; enfim, toda sorte de nepotismo é antiética. A ética também muda conforme mudam os valores da sociedade e os comportamentos. Muitas coisas que achávamos antiéticas vinte anos atrás hoje são aceitáveis. Por exemplo, a instrumentalização de obras de arte para fazer um statement. Não confundir ética e moralismos… Com moralismos, não teríamos a Semana de 22.

Próxima entrevista: Cleusa Garfinkel

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