Essa é sua história

Ana Elisa Egreja expõe série de pinturas a partir de construções de cenários

Luana Fortes

Publicado em: 15/05/2017

Categoria: Da Hora, Destaque, Uncategorized

Poça II (2017), 250 x 400 cm (Foto: Filipe Berndt)
Caderno de Ana Elisa Egreja (Foto: Cortesia da artista)

Caderno de Ana Elisa Egreja (Foto: Cortesia da artista)

Em Jacarezinho 92, nova individual de Ana Elisa Egreja, a artista aventurou-se em um novo desafio. Em vez de seu anterior processo criativo, que passava por pesquisas na internet e colagens digitais, decidiu montar cenários na antiga casa de sua avó, que agora usa como ateliê. O processo de construção das imagem teve muitas etapas. Desenhos em um caderninho deram início ao processo, transformaram-se em cenas detalhadamente articuladas, as quais foram fotografadas com uma câmera de alta resolução que, então, resultaram em uma série de sete pinturas. Trata-se de imagens com tamanha riqueza de detalhes que podem acabar confundidas com esses registros que ocorrem no meio do caminho. “Eu fiz uma foto, mas ela não era meu produto final, era meu esboço”, conta à seLecT.

Por esse motivo, descrever seu trabalho simplesmente como realista é um desfavor a seu processo criativo. O universo pictórico de Ana Elisa Egreja apresenta camadas, tanto concretas quanto conceituais, para além de discussões sobre a veracidade da imagem construída. “Para mim, pouco importa se as frutas de Copa (2017) são reais ou não”, revela. Na hora da escolha de que objetos pintar, o interessante era encontrar desafios técnicos. Para chegar ao branco das janelas, por exemplo, foram necessárias muitas finas camadas de tinta, estratégia aprendida com Paulo Pasta. “O legal é a textura, a pintura, a cor… Essa é minha história”, completa.

Copa (Natureza Morta) (2017), 190 x 270 cm

Copa (Natureza Morta) (2017), 190 x 270 cm (Foto: Filipe Berndt)

 

Além disso, a imagem final acaba ainda mais exata do que aquela percebida por uma câmera. Em sua pintura, uma parede de azulejos é mais reta e proporcional do que a sua referência real. Assim, há nessas imagens uma camada de artificialidade, que reforça seu processo de construção. Ao mesmo tempo em que sua minúcia leva a crer que se trata de uma situação possível, essa busca por tanto rigor revela elementos artificiais. E a situação é ainda potencializada com uma certa incoerência das cenas que propõe. Hora vê-se uma sala alagada repleta de plantas, hora ratos em um corredor iluminado por luzes de natal. Por esse motivo, em vez de somente realismo, Ana Elisa Egreja se refere a sua produção como realismo fantástico.

A partir dessas cenas ilógicas e de um rigor pictórico, a artista propõe desafios a si mesma, com o objetivo de dominar cada vez mais técnicas da pintura. Assim, apesar de outros elementos despontarem em Jacarezinho 92, como um vídeo que registra os cenários construídos ou a decisão de cobrir o chão da Galeria Leme com um carpete, a pintura segue ressoando como protagonista. Ao conversar com a seLecT, inclusive cita uma frase de Georges Braque, escrita em 1917: “A meta não é a preocupação com a reconstituição de um fato anedótico, mas a constituição de um fato pictórico”.

Corredor com Ratos (2017), 190 x 270 cm (Foto: Filipe Berndt)

Corredor com Ratos (2017), 190 x 270 cm (Foto: Filipe Berndt)

 

Serviço
Jacarezinho 92, de Ana Elisa Egreja
Galeria Leme
Av. Valdemar Ferreira, 130 – São Paulo
até 20/5
www.galerialeme.com

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