Eu sou, tu és

Bienal de arte naïf reafirma o caráter social e potente de uma arte que não deve ser rotulada

Felipe Stoffa
Fürher e o Califado do Terror (2015), pintura de Cleber Ramos, na 13ª Bienal Naïfs do Brasil (Foto: Divulgação)

Em sua 13a edição, a Bienal Naïfs do Brasil – Todo Mundo É, Exceto Quem Não É afirma o papel social e inclusivo de uma exposição periódica voltada à arte popular. A mostra deixa evidente que o termo naïf pede revisão, já que o que se apresenta nas salas do Sesc Piracicaba são cerca de 120 obras de artistas que falam de tudo menos de ingenuidade.

O título funciona como um guia para a visita. A partir de um diálogo com o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que em 2006 afirmou que “todo mundo é índio, exceto quem não é”, coube à bienal indagar o porquê de limitar a produção de artistas cujas biografias e o título de naïf “o fossem somente até deixar de sê-lo”, conforme o texto curatorial de Clarissa Diniz. Deixando de lado essa classificação prematura, artistas populares, modernos e contemporâneos foram colocados lado a lado, a fim de abrir novas tramas e diálogos, em obras que questionam a vida social, memória, história e a própria cultura. Tudo isso com força política e tom propositivo, semelhante ao que se encontra na 32a Bienal de São Paulo.

Para ativar esse diálogo, a mostra está organizada em cinco eixos temáticos: espaço, gráfico, pictórico, matérico e político. Ao transitar em cada eixo, encontramos esculturas de Tiago Carneiro da Cunha, como Monstros de Lama com Vela Vermelha (2009), a pintura com animação A Briga do Porta-Bandeira Vermelho (2016), de Thiago Martins de Melo, e até uma pintura do modernista Flávio de Carvalho, Sem Título (1972), e trabalhos da série Morandi (1964), de Montez Magno.

Esses trabalhos são ladeados por produções de artistas alheios ao sistema de arte contemporânea, como Maria Aparecida Queiroz Machado, Geraldo Tartaruga, Nilda Neves, Gustavo Ansia, além de bordados, como Mulher Chorando (2015) e Cobra e Jacaré (2015), de Marlene Crespo. Como não se surpreender também com o alto teor social de pinturas como Manifestação na Paulista (2016), de Jefferson Limas, e Fürher e o Califado do Terror (2015), de Cleber Ramos.

Abastecidos pelas intrigantes e belas produções, podemos voltar ao título da mostra e afirmar que todo mundo é, ou que deveria ser.

Serviço
13ª Bienal Naïfs do Brasil – Todo Mundo é Exceto Quem Não é
Curadoria de Clarissa Diniz
Sesc Piracicaba
Rua Ipiranga, 155, Piracicaba
Até 27/11
www.sescsp.org.br

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