Eu sou uma retícula

Juliana Monachesi

Publicado em: 09/12/2011

Categoria: artes visuais, Crítica

Masp reúne 200 obras gráficas de Sigmar Polke que, ao lado de Richter e Kiefer, é o pintor alemão mais importante do século 20

Polke

Saia do Laboratório e entre no Escritório (1980-1991), impressão em off-set sobre papel transparente, obra de Sigmar Polke exposta no Masp que demonstra a radicalidade da intervenção do artista sobre o papel

“Eu amo todo tipo de retícula. Sou casado com elas. Quero que todas as retículas sejam felizes. Eu sou uma retícula eu mesmo.” Uma das poucas declarações conhecidas do evasivo e recluso Sigmar Polke (1941-2010) fala alto sobre seu legado. As retículas de clichê (matriz de prensa tipográfica) estão presentes em suas pinturas e gravuras tanto como técnica de transferência de imagens fotográficas quanto como assunto. Porém, diferentemente de Roy Lichtenstein, que fez da grade de pontos sua sintaxe, Polke criou uma versão informe do grid de impressão, antecipando o vazio da reprodutibilidade ad nauseam dos nossos dias.

Na exposição Sigmar Polke – Realismo Capitalista e Outras Histórias Ilustradas, estampas, serigrafias e colagens do artista revelam a radicalidade da intuição de Polke e da subversão dos cânones das artes gráficas. Ele não seguia nenhuma cartilha purista sobre tiragem ou função: cartazes de exposição e impressões únicas têm o mesmo estatuto; cópias idênticas são submetidas a tratamentos finais diferentes em uma antecipação da pós-produção midiática. As obras da série Imagem de Televisão (Futebol), de 1971, ou as cinco impressões de Dança das Garças (1997), não são apenas diferentes entre si, mas dissociadas e independentes, tamanha a carga de intervenção sobre a reprodução de base.

A exposição tem curadoria a quatro mãos, de Tereza Arruda e Teixeira Coelho, e as obras vêm da coleção de Axel Ciesielski (Vallendar, Alemanha), com exceção das 25 obras da série Day by Day (1975), que Polke desenvolveu para a 13a Bienal de São Paulo (pela qual recebeu o prêmio de pintura da edição de 1975 da mostra brasileira), cedidas à mostra por uma coleção privada. É interessante rever essa obra de juventude de Polke e perceber como sua visão estereotipada do Brasil ainda tem algo a nos ensinar.

Saiba mais: Sigmar Polke – Realismo Capitalista e outras histórias ilustradas

Até 29 de janeiro, no MASP.

*Publicado originalmente na edição impressa #3.

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