Faixa Protesta: a pintura e a urgência

Em maio de 2019, o governo Bolsonaro enfrentou as primeiras manifestações de grandes proporções

Paula Alzugaray

Publicado em: 07/03/2020

Categoria: A Revista, Em Construção

O projeto Faixa Protesta (Foto: Divulgação)

Milhares de pessoas foram às ruas em 250 cidades brasileiras para protestar contra os cortes orçamentários na área da Educação, que afetaram principalmente as universidades públicas federais. No Rio de Janeiro, o Faixa Protesta alçou aos céus bandeiras que ampliavam o coro “Fora Bolsonaro”, com dizeres que escapavam à gramática comum das faixas de manifestações. De poética haikai, textos como “Marighella, Marielle, quanto Mar” sintetizavam a indignação geral com a censura anunciada ao filme de Wagner Moura sobre o guerrilheiro Carlos Marighella, a indefinição dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e as dificuldades extremas vividas pelas instituições culturais no Rio.

Faixa Protesta é uma ação artística e política em permanente construção e processo, levada a cabo por artistas, curadores e ativistas do Rio. Funciona como uma espécie de zona autônoma temporária, com formação flutuante e ações engendradas em resposta às urgências ao momento político do País. Em 2019, o grupo lançou-se quatro vezes às ruas, a última delas em novembro, em ato em defesa do Museu de Arte do Rio de Janeiro, que passa por uma indefinição de seu futuro.

As ações são detonadas por convocatórias abertas pelas mídias sociais para pintar as faixas no Atelier Sanitário, de Daniel Murgel e Leandro Barboza, localizado na Zona Portuária do Rio. Gustavo Speridião, cujo trabalho pictórico desenvolve tensões e negociações entre o discurso político e as instituições de arte, e que é o autor de muitas das faixas do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), no Rio, é um articulador-chave do projeto. “A produção das faixas, assim como toda a performatividade e negociação envolvidas em sua colocação nas ruas, vem agregando as pessoas e mobilizando sua colaboração cotidiana”, afirma a crítica e curadora Izabela Pucu à seLecT. “Ao mesmo tempo, é interessante pensarmos essa ação enquanto confronto da pintura com a estética e a escala da rua, com sua polifonia e seus conflitos; interessante, sobretudo, como forma de colocar em crise também a posição e os lugares tradicionais do artista e do trabalho de arte”, afirma ela.

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