Fala, Noah Horovitz

Mesmo reconhecendo que curadores são imprescindíveis para o sucesso das feiras, o diretor-executivo da Armory Show de Nova York diz que feira é negócio, não exposição de museu

Paula Alzugaray

N° Edição: 22

Publicado em: 05/03/2015

Categoria: A Revista, Entrevista

Noah Horovitz por Eric T. White

O curador tem seu poder ampliado pelas feiras de arte?

Sim, mas temos de considerar que, nos últimos 15 anos, todo o sistema de arte passa por um processo de espetacularização. Feiras hoje são também experiências de estilo de vida, não só oportunidades de compra e venda. Deixaram de ser empreendimentos totalmente comerciais para se tornar ambientes de interpenetração comercial e curatorial. Isso é parte do processo de profissionalização, diferenciação e validação. Por isso vemos mais e mais feiras convidando curadores. Eles fornecem bons filtros para guiar colecionadores, e para validar também.

Como a Armory Show, que fez 20 anos em 2014, se posiciona no novo mapa do mercado internacional?

Você tem de se adaptar. Uma das razões para eu assumir (a edição 2015, que acontece de 5 a 8 de março, será a terceira sob direção de Horowitz) foi para trazer energia e criar novas redes. A Armory é um legado no mercado norte-americano, mas, provavelmente, cresceu mais do que devia. E o elemento curatorial fazia falta, assim como o espaço era justo, você não conseguia realmente ficar parado para apreciar um trabalho. Redesenhamos a estética e a circulação dos espaços e reduzimos dramaticamente o número de galerias.

Como a Armory foi afetada pela chegada em NY da Frieze de Londres?

Para o mercado primário, a primeira semana de março é a mais importante em Nova York, em termos de aberturas em museus e instituições, que programam suas melhores exposições para essa época. A Frieze ancorou sua feira em maio, no mês dos leilões em NY. Mas a Armory despertou para a necessidade de mudar. E, verdadeiramente, parte das razões por eu ter meu emprego é o fato de a Frieze ter chegado. Mas como Nova York ainda é o principal centro comercial para a arte contemporânea do pós-Guerra, pode sustentar duas grandes feiras comerciais.

Em sua opinião, quais as novas feiras do mapa mundial?

Art Dubai é um grande exemplo de como construir algo do nada, a partir de uma infraestrutura muito limitada. Comercialmente, não tenho certeza se eles são muito bem-sucedidos, mas sim em termos de projeto curatorial, que também destaco a Artissima (Turim, Itália) e da ABC (Berlim, Alemanha). Mas o mais importante é que feiras de arte ainda são empreendimentos comerciais e tem de ser plataformas fortes de venda, como a Armory é. Há algumas falsas economias que emergem por aí, onde você vê feiras efetivamente substituindo bienais, recebendo subsídios de dinheiro público para trazer cultura para a cidade, onde galerias não pagam stands. Isso é bom, mas não é sustentável. Não podemos perder de vista que a feira é uma empresa, não uma exposição de museu.

*Entrevista publicada originalmente na #select22

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