Fala-se em línguas

O Brasil é um país bem abastecido em línguas indígenas, onde há 15 famílias de idiomas, mas pouco se fala sobre elas

Gustavo Godoy

Publicado em: Vol. 10, N 50, Abril/ Maio/ Junho 2021

Categoria: A Revista, Destaque

Línguas indígenas (Gráfico: Nina Lins)

Não se sabe o número exato de línguas indígenas no Brasil. Algumas publicações anotam perto de 150, outras copiam uma estimativa antiga de 180. O Censo, baseado em autoidentificação, indica o número de 274, uma cifra alta demais. Um fato, no entanto, é definitivo: o Brasil é rico em línguas, isoladas ou aparentadas.

Se uma língua não apresenta similaridades sistemáticas com nenhuma outra, é considerada isolada, sem parentes e ancestrais identificáveis. No Brasil, há nove delas: em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o guató; em Rondônia, os idiomas kanoé, kwazá e aikanã; em Mato Grosso, trumai e iranxe e, em Roraima, máku e arutani.

É o caso também da língua yaathê, em Pernambuco. Agora, quando um idioma se expande, diferentes comunidades passam a falar de modos cada vez mais divergentes. Surgem então dialetos que podem originar línguas novas, porém semelhantes. Juntas, elas são chamadas de família linguística, por descenderem de uma mesma raiz ancestral.

No Brasil há 15 famílias, presentes em países vizinhos, como Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e mesmo no Equador. As maiores, que incluem dezenas de línguas, são aruak, tupi e caribe. Originárias da Amazônia, elas se expandiram pelo continente. Aruak e caribe chegaram até mesmo às Antilhas. Também com dezenas de línguas, o conjunto macro-jê é exclusivo do território brasileiro, atravessando-o de Norte a Sul, desde o Pará e o Maranhão até o Rio Grande do Sul.

Outras famílias ocupam áreas menores, mas ainda expressivas. As famílias tukano e nadahup estão no Alto Rio Negro, chegando até a Colômbia e a Venezuela. A família pano está no Acre, na Bolívia e no Peru. Em Mato Grosso, também, as famílias bororo e nambiquara já ocuparam grandes territórios.

No Amazonas, o pirahã e o tikuna tinham línguas irmãs, mas atualmente elas estão extintas. Portanto, hoje eles são os últimos representantes das suas respectivas famílias linguísticas. Do contato colonial também surgem as línguas crioulas, que contam com muitas palavras oriundas das línguas dominantes. No Amapá, o kheuól, que vem do contato escravocrata entre o francês e línguas africanas, é falado por populações indígenas.

Além das línguas orais, existem ainda línguas de sinais surgidas entre os povos ka’apor, no Maranhão, e terena, em Mato Grosso do Sul, entre outras.

É no Brasil que está presente boa parte da diversidade linguística do mundo. Essas línguas, tão diferentes entre si, são ainda desconhecidas: pela opinião pública, que ignora mesmo seus nomes, pela falta de estatísticas coerentes e pela ciência linguística que apenas começou a descrevê-las. Em línguas, o Brasil é um país bem abastecido – o que é algo que pouco se fala.

  • Línguas indígenas (Gráfico: Nina Lins)
  • Línguas indígenas (Gráfico: Nina Lins)
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