FLIP e a fraternidade vegetal

19ª Flip promove diálogos sobre Plantas e Literatura. seLecT participa da FLIP +, com mesa sobre a crítica da arte indígena contemporânea

Luana Rosiello

Publicado em: 18/11/2021

Categoria: Da Hora, Destaque

Carlos Papá, cineasta e liderança Guarani Mbya, abre os trabalhos do programa principal, no sábado 27, às 16h

“As plantas sempre estiveram na literatura, porém a crítica literária nunca prestou muita atenção a isso”, disse o escritor Evando Nascimento, do coletivo curatorial da 19ª FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, na última coletiva de imprensa antes do início do evento virtual, que acontece no sábado 27/11. “É preciso revisitar tudo o que lemos, reler a nossa biblioteca a partir do chamado das plantas”, completa o professor de literatura brasileira em Princeton, Pedro Meira Monteiro.

Inspirada nas plantas e nas florestas, a FLIP 2021 se organiza em torno do conceito de Nhe’éry, denominação tupi para a pluriversalidade, a capacidade de cooperação e regenerativa da floresta. Pela primeira vez, a curadoria é coletiva, formada pelo antropólogo Hermano Vianna; a editora Anna Dantes; o escritor Evando Nascimento; o professor Pedro Meira Monteiro; e o antropólogo João Paulo Lima Barreto, Tukano do Alto Rio Negro. Eles compõem uma ”floresta curatorial”.

Para os curadores, a edição busca derrubar a ideia cartesiana da centralidade humana, abolir as barreiras entre o humano e não humano para, assim, evidenciar o mundo vegetal, que é coletivo e interespécies. “A construção dessa programação foi uma educação pelas plantas. É sobre cuidado, acolhimento e cura”, diz Anna Dantes. “A gente começa por pedir permissão a Nhe’éry”.

A programação online poderá ser acompanhada no Youtube da FLIP. Mas estará encharcada da maresia do litoral de Bertioga a Paraty. Carlos Papá, cineasta e liderança Guarani Mbya, é quem “dá permissão” a entrar em Nhe’éry e abre os trabalhos do programa principal, no sábado 27, às 16h, conversando a filósofa e historiadora Cristine Takuá, da comunidade Terra Indígena Ribeirão Silveira, na divida dos municípios de Bertioga e São Sebastião.

A filósofa e historiadora Cristine Takuá integra a mesa abertura Nhe’éry Jerá, com Carlos Papá

O programa principal é composto por 19 encontros, trazendo, entre tantos outros, o botânico italiano Stefano Mancuso, especialista em neurobiologia vegetal; a artista e poeta chilena de origem Mapuche Cecília Vicuña; a artista e professora Giselle Beiguelman, em pesquisa para o projeto Botânica Tirânica; o escritor Itamar Vieira Junior; a escritora Margareth Atwood, autora da ficção especulativa O Conto de Aia, considerado premonitório das crises do século 21; e o escritor de ficção científica Kim Stanley Robinson, autor de Ministry for the Future, considerado “o livro da década”, pelo compositor Brian Eno. Ailton Krekak fecha a programação, no domingo 5/12, às 18h, com a mesa “Cartografias para adiar o fim do mundo”.

A artista e poeta chilena de origem Mapuche Cecília Vicuña

seLecT Floresta

A seLecT integra a programação da FLIP+, composta por parceiros do evento. Trazemos o debate “Como fazer a crítica da Arte Indígena Contemporânea”, em mesa composta pelo artista Denilson Baniwa e a crítica de arte Lisette Lagnado, com mediação do historiador da arte Renato Menezes, no sábado 4/12, às 11h.

O evento celebra os 10 anos de jornalismo cultural da revista e marca o lançamento da revista-livro seLecT Floresta. Com conteúdos das quatro edições digitais de 2021 que abordam as margens, as cosmovisões e as comunidades da floresta, o volume bilíngue traz textos de Moacir dos Anjos, Mariza Mokarzel, Paula Berbert, Miguel Chikaoka, Orlando Maneschy, Aline Rochedo Pachamama, Anita Ekman, Daniela Rosendo, Ronaldo Bressane, entre outros autores.

O artista Denilson Baniwa debate “Como fazer a crítica da Arte indígena Contemporânea”, na mesa da seLecT Floresta, na FLIP+

A crítica de arte Lisette Lagnado, curadora da 11ª Bienal de Berlin, conversa com Denilson Baniwa em mesa da seLecT Floresta (Foto Paulo D’Alessandro, arquivo seLecT)

As plantas e florestas que enraízam a seLecT e a FLIP em 2021 devem crescer e ganhar campo também em 2022. ”A Flip é uma extroversão e também é uma escuta. Começamos a trabalhar a programação do ano seguinte baseado nos resultados da edição em curso. Mas essa virada vegetal faz emergir uma riqueza de diversidades tão grande que, mesmo se optarmos por outro tema, as plantas e as florestas vão continuar pulsantes”, diz Mauro Munhoz, diretor artístico da FLIP.

Conheça o Programa

Serviço

19ª Festa Literária Internacional de Paraty

Edição Virtual: de 27/11 a 5/12

https://www.youtube.com/c/flipfestaliteraria

MESA seLecT Floresta

Como fazer a crítica da Arte Indígena Contemporânea

Debatedores: Denilson Baniwa e Lisette Lagnado

Mediação: Renato Menezes

Sábado, 4/12, 11h

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