Folia e ativismo

Em conversa com o público hoje na SP-Arte, Marcos Chaves revelou as histórias por detrás das fotos do seu ensaio sobre carnaval e política

Da redação

Publicado em: 04/04/2014

Categoria: Da Hora, Mercado de Arte

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Marcos Chaves conta para Giselle Beiguelman as curiosidades de seu ensaio fotográfico

O artista Marcos Chaves, representado pela galeria Nara Roesler, bateu um papo maravilhoso com Giselle Beiguelman e o público hoje no auditório do SP-Arte (obrigado Pedro Vieira!). Tudo girou em torno, claro, do ensaio fotográfico feito exclusivamente para a seLecT 17, sobre como o espaço de ativismo começa a se fundir com o espaço de folia.

A relação de Marcos Chaves com o Rio de Janeiro é calcada em suas andanças pela cidade (“sou um flâneur”, confessa). Ele já estava fotografando o carnaval do Rio há algum tempo, por isso o seu entusiasmo ao receber o convite. Ao chegar ao Rio após uma viagem ao exterior, o artista estranhou um certo clima de repressão ao se deparar com um “Robocop” do Batalhão de policiamento em Grandes Eventos (BPGE) da Polícia Miltiar. O carnaval prometia ser violento, mas não houve confrontos, apesar do forte clima político.

A primeira foto que tirou foi a de um integrante de bloco de rua segurando um trombone com o adesivo “não vai ter copa”. É o retrato de um ativismo brincalhão. Perguntado se a esquerda hoje se tornou festiva, Marcos lembrou que um dos jornais independentes da época da ditadura chamava-se Luta & Prazer. Ou seja, de certa forma, a esquerda brasileira sempre teve um componente irreverente. A lembrança provocou a projeção de uma das fotos do ensaio, tirada no Beco do Rato: a cena é de um casal em momento “explícito”: “Tudo ocorreu tranquilamente, pois os policiais nem consideram passar por aquele local”.

Outra foto projetada foi a que tem como pano de fundo a frase Fui Crime Serei Poesia pichada numa parede. Apesar de pertencer ao seu repertório, o artista nunca havia encontrado um momento tão ideal para contextualizar aquela frase. Em seguida entrou a projeção das fotos da polícia sendo canibalizada pelos funkeiros do Rio, próximo ao camelódromo da Uruguaiana. Marcos Chaves também contou a história por detrás da foto do rapaz com uma arma de plástico feita de garrafa PET: “eles estavam fazendo uma paródia tipo pancadão do mundo do crime e da droga”.

O convite para o ensaio veio em boa hora, pois Marcos vem realizando de forma natural trabalhos de crônica visual, um trabalho de narrativa sintética. Ele agora prepara uma instalação para a inauguração da galeria Nara Roesler no Rio; a obra tem o Pão de Açúcar como pano de fundo, daí o título Sugar Loafa, inspirado de um erro de tradução do tradutor do Google.

O bate-papo fez parte do SELECT DAY.

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