Frevo, arte quase marcial 

Fundação Joaquim Nabuco exibe Faz Que Vai, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, com documentos usados na pesquisa para o trabalho

Paula Alzugaray
Cena do videoensaio Faz Que Vai (2015), de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca (Foto: Cortesia Fortes D'Aloia & Gabriel)

O frevo, intitulado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, em 2012, nasceu na linha de frente dos cortejos carnavalescos do Recife, na virada do século 19 para o 20. Seus passos velozes, “fervidos” (daí o título frevo, corruptela de “fervo”) foram inventados por corpos capoeiristas, praticando movimentos desafiadores para abrir caminho na multidão. “Faz que Vai” (2015), primeira colaboração da dupla Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, recupera essa origem libertária, quase marcial, do frevo. O ritmo é um código de afirmação política para os quatro dançarinos do filme.

Adquirida em 2018 para a coleção da Fundação Joaquim Nabuco, a obra é hoje exibida ao lado de documentos – fotográficos, audiovisuais, sonoros e textuais –, também pertencentes à coleção, que foram usados pelos artistas na pesquisa prévia ao trabalho. “Diante do progressivo apagamento da urgência libertária que o frevo evocava, o trabalho reclama, para ele, um outro destino: tornar-se lugar de afirmação de alteridades e de disputa pela visibilidade de corpos negros, periféricos e não confirmados a classificações estanques de gênero”, diz o curador Moacir dos Anjos.

O passista Juventino Gomes, conhecido como Juju, em fotografia de circa 1945 (Foto: Cortesia Fundação Joaquim Nabuco)

Serviço
Faz Que Vai – Bárbara Wagner e Benjamin de Burca
Fundação Joaquim Nabuco
Av. Dezessete de Agosto, 2187 – Recife
até 1/9
fundaj.gov.br

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