Futuro em branco

Paula Alzugaray

Publicado em: 01/12/2011

Categoria: Editorial, seLecT#03

A seLecT03, nas bancas hoje

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Capa: Obra de Odires Mlászho a partir de fotografia de Björk clicada por Sam Falls e com estilo assinado por Katy England para a revista Dazed & Confused de agosto de 2011. Mlászho realizou este trabalho especialmente para seLecT

O leitor de seLecT que nos acompanha desde a primeira edição deve notar que é a segunda vez que a palavra futuro aparece em títulos de nossos editoriais. Reincidir na ideia de futuro, devemos preveni-lo, será uma constante em nossas páginas. Uma promessa, até. Mas falar de futuro torna-se ainda mais essencial quando elegemos o livro como tema desta terceira edição. Afinal de contas, estamos todos divididos entre um apego amoroso ao papel e o fascínio da tecnologia. Propomos aqui um transitar entre passado e futuro. 

Na primeira folheada, o leitor de seLecT já encontrará essas temporalidades estampadas na escolha das fontes tipográficas, que o diretor de arte Ricardo van Steen renova a cada edição, de acordo com o tema de cobertura. Desta vez, a tipografia nos transporta de 1770, ano em que foi criada a fonte Bodoni, uma das mais usadas em toda a história das publicações, até 1991, quando surge a fonte pixelizada FF Network, pioneira entre as digitais.O futuro da tipografia? Está sugerido na matéria de Angélica de Moraes que resgata os alfabetos e as famílias de tipos criados por Detanico Lain. 

O passado da imprensa e de seus processos industriais? Está nas esculturas em formato de árvore, do colombiano Miler Lagos, talhadas a partir de bloquinhos industrializados com reproduções da xilogravura Apocalipse, de Dürer (1480), e também nas máquinas utópicas de leitura apresentadas por Nina Gazire. Do mais antigo livro de arte, que inaugurou a crítica nesse tema e cuja primeira edição finalmente acaba de sair no Brasil (451 anos depois) – review de Juliana Monachesi – ao futuro das bibliotecas, quando os livros conversarão entre si, como projeta Bob Stein em entrevista a Giselle Beiguelman, nos adiantamos a essa aventura, abolindo o isolamento entre as mídias impressas e digitais, recriando uma trilha, cuja genealogia remonta à tradição do poema visual concreto de Augusto de Campos, a quem dedicamos um perfil.

Paula Alzugaray
Diretora de Redação

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