Gilberto Chateaubriand (1925-2022)

Morre o colecionador que acompanhou e apoiou a produção brasileira por mais de 70 anos. Leia nota do MAM Rio

Da Redação

Publicado em: 18/07/2022

Categoria: Da Hora, o release do dia

Retrato de Gilberto Chateaubriand no MAM Rio, por Vicente de Mello

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro lamenta a morte do colecionador Gilberto Chateaubriand, aos 97 anos.

A coleção Gilberto Chateaubriand, de arte brasileira moderna e contemporânea, é uma das mais importantes do país. Com cerca de 8 mil obras, reúne um panorama quase completo da produção artística nacional. As obras vão desde o modernismo, passando pelas décadas de 1950, 1960 e 1970, até a produção contemporânea. Aproximadamente 6.600 obras estão em comodato com o MAM Rio desde 1993.

Gilberto Francisco Renato Allard Chateaubriand Bandeira de Melo nasceu em 1925, em Paris, filho de Maria Carmem Guedes Gondim e Assis Chateaubriand, magnata das comunicações no Brasil, dono dos Diários Associados, maior conglomerado de mídia da América Latina, que em seu auge contou com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e uma agência telegráfica. Seu pai também fundou e dá nome ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Gilberto Chateaubriand foi presidente da Sociedade Amigos do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro, membro do conselho internacional do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa), da Fundação Cartier para Arte Contemporânea (na França), da comissão administrativa da Fundação Bienal de São Paulo, do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC/USP, do conselho do Paço Imperial, do MAM Rio e do MAM São Paulo.

Diplomata e empresário, começou a colecionar arte por acaso em 1953, quando um amigo o levou ao ateliê do pintor José Pancetti, em Salvador, e este o presenteou com o óleo sobre tela “Paisagem de Itapuã” (1953).

Entre 1956 e 1959, trabalhou para o Itamaraty na Europa. Na sua volta, com um contato direto com a arte brasileira, passou a colecionar com grande afinco, seguindo conselhos dos galeristas Giovana Bonino, Jean Boghici, do pintor Carlos Scliar e o do colecionador Aloysio de Paula.

Somente na década de 1970, a Coleção Gilberto Chateaubriand passou a ser exibida em exposições nacionais e internacionais. Anteriormente, ela ficava dividida entre o apartamento de Chateaubriand no Rio, e na fazenda “Rio Corrente”, em Porto Ferreira, São Paulo.

Em 1972, como parte das comemorações do cinqüentenário da Semana de Arte Moderna, a coleção foi exibida pela primeira vez em uma exposição na Galeria do Instituto Brasil Estados Unidos (IBEU). Com o título de “50 Anos de Arte Brasileira”, a mostra teve a curadoria do próprio colecionador. Em 1976, Roberto Pontual lança “Arte brasileira contemporânea”, o primeiro livro sobre a Coleção Gilberto Chateaubriand.

Em 1978, um incêndio destruiu parte do MAM Rio e Gilberto Chateaubriand integrou a comissão de negociações e reconstrução do museu. Em 1980, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro reabriu e, no ano seguinte, o então artista Fernando Cocchiarale e o crítico de arte do Jornal do Brasil, Wilson Coutinho, organizaram uma exposição com 411 obras da coleção de Chateaubriand.

Parte deste acervo integra a mostra de inauguração do Museu Metropolitano de Arte de Pusan, Coréia do Norte, em 1988, além de constituir uma exposição itinerante na Alemanha. No mesmo ano, o Masp promoveu a mostra “O Moderno e o Contemporâneo na Arte Brasileira”, abrigando pela primeira vez as obras dessa coleção.

Entre os destaques das obras modernas desta coleção estão trabalhos de Alberto da Veiga Guignard, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Cândido Portinari, Carlos Scliar, Cícero Dias, Djanira, Emiliano Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho, Ismael Nery, Lasar Segall, Maria Martins, Oswaldo Goeldi, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro, Victor Brecheret e Vieira da Silva.

A década de 1950 é representada por obras de Abraham Palatnik, Aluísio Carvão, Amilcar de Castro, Antonio Bandeira, Fayga Ostrower, Franz Weissmann, Hélio Oiticica, Ivan Serpa, Lygia Clark, Luiz Sacilotto, Manabu Mabe, Maria Leontina, Mary Vieira, Milton Dacosta, Samsor Flexor, Tomie Ohtake, entre outras.

Dos anos 60, a coleção tem trabalhos de Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Artur Barrio, Cláudio Tozzi, Carlos Vergara, Farnese de Andrade, Glauco Rodrigues, Ivald Granato, Rubens Gerchman, Maria do Carmo Secco, Nelson Leirner, Raymundo Colares, Wanda Pimentel, Wesley Duke Lee.

Da década de 1970, destacam-se obras de Alair Gomes, Ana Vitória Mussi, Anna Bella Geiger, Antonio Manuel, Carlos Zilio, Cildo Meireles, Iole de Freitas, Ivens Machado, José Resende, Luiz Alphonsus, Miguel Rio Brancom Milton Machado, Paulo Roberto Leal, Tunga e Waltercio Caldas.

Destaques dos anos 1980 da coleção: Adriana Varejão, Antonio Henrique Amaral, Beatriz Milhazes, Caetano de Almeida, Cristina Canale, Daniel Senise, Fábio Miguez, Jorge Barrão, Leda Catunda, Leonilson, Luiz Zerbini, Nuno Ramos, Sérgio Romagnolo

Das décadas de 1990 e 2000: Albano Afonso, Arjan Martins, Cabelo, Caetano Dias, Carlito Carvalhosa, Claudia Andujar, Eduardo Berliner, Edgar de Souza, Eduardo Kac, Ernesto Neto, Felipe Barbosa, Fernanda Gomes, Iran do Espírito Santo, Jac Leirner, José Bechara, José Damasceno, Laura Lima, Lúcia Laguna, Marcelo Moscheta, Márcia X, Marcos Chaves, Marepe, Matheus Rocha Pitta, Paulo Climachauska, Paulo Nazareth, Raul Mourão, Rochelle Costi, Rosana Ricalde, Rosângela Rennó, Rivane Neuenschwander, Sandra Cinto, Vik Muniz.

Nos últimos anos, Gilberto Chateaubriand se dedicou à sua fazenda em Porto Ferreira, onde plantava laranja e cana-de-açúcar. No local, guardava pequena parte de seu acervo, que chamava de seus “filhos preferidos”.

“Gilberto criou uma coleção que reflete o Brasil, a arte e os artistas que ele tanto amou, e que tanto o amaram. Uma história de amor que nunca terá fim. O MAM Rio se orgulha de ter participado desta história. Viva o Gilberto”, diz Paulo Albert Weyland Vieira, diretor executivo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Atualmente, 113 obras da Coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio integram a exposição “Nakoada: estratégias para a arte moderna”, em cartaz no Espaço Monumental do museu, inaugurada em 8 de julho último, com curadoria de Beatriz Lemos e Denilson Baniwa.

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