Grafite novo

Luciana Pareja Norbiato

Publicado em: 28/11/2014

Categoria: Crítica, Review

Com um cast de novos nomes e administração coletiva de artistas fortes da cena das ruas, A7MA exibe trabalhos em tela de um dos sócios, Enivo

Legenda: Teaser da exposição Âmago, com trabalhos de Enivo

Foi da junção de dois coletivos que surgiu um espaço que amplia – e refresca – a participação do grafite no universo de galerias de SP. Aberta em abril de 2012, A7MA trouxe a Full House e o Coletivo 132 para o mesmo endereço, com vocação para ponto de encontro da cena hip hop e quase de frente para o famoso Beco do Batman (galeria a céu aberto de grafite na Vila Madalena).

Da primeira, especializada na impressão das gravuras street, estão na sociedade os irmãos Alexandre e Cristiano Enokawa. Do segundo, Enivo e Jerry Batista representam o bairro do Grajaú, acompanhados por Tche Ruggi. Dois anos depois da abertura, foi a vez de Enivo ocupar o espaço com a mostra Âmago, a 25ª da galeria.

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Legenda: Âmago, de Enivo (fotos divulgação)

“Eu fiquei tão envolvido com a preocupação de fazer nosso espaço vingar que fui adiando minha individual para dar espaços para os irmãos. Agora que decidi fazer, veio com um gosto especial, de comemoração mesmo”, disse o artista. Seu trabalho indoor ganha características próprias, com remissão a Lucio Fontana nas telas cortadas.

Na versão de Enivo, as telas fendidas são sobrepostas e têm suas bordas queimadas. Com isso, ganham um efeito dramático que remete tanto a muros cobertos e recobertos por cartazes quanto pela procura de sentido para além da superfície.

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Adicionando a passagem de tempo a esses elementos, chega-se a um dos trabalhos mais interessantes processualmente, Tempo Novo, que extrapola o limite do suporte bidimensional. Realizado pela colagem de pedaços de tecidos em que se lê O Novo Tempo Novo, é o aglomerado de várias camisetas usadas pelo artista por longo tempo, uma na sequência da outra. A tinta que aparece é a usada em ação, respingada na roupa de trabalho.

O resultado final é a cristalização da passagem do tempo estampada na parede. Simultaneamente, é o testemunho da fugacidade do tempo e da impossibilidade de permanência do instante. E o caráter de expressão da rua ganha nova dimensão, com uma visualidade que remete ao urbano, sem perder de vista o caráter da arte. Nesse sentido, Enivo representa o salto formal e conceitual que o grafite vem somando às artes visuais.

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Legenda: Tempo Novo

Se deixa de ser expressão genuína ao sair da rua e migrar para paredes de espaços expositivos, não perde a organicidade do procedimento original, bebendo em duas fontes: a produção de pintura tradicional e de grafite, com suas especificidades e histórias. É o que se vê tanto em Âmago quanto no acervo de A7MA, que conta com um quadro de artistas não-exclusivos, como Lobot, Rafael Hayashi, Bieto e Sinhá. Quem ganha são as artes visuais, na conexão direta com o mundo de hoje.

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Legenda: Magma

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