Ninguém está livre até que todos estejam livres

MASP apresenta primeira retrospectiva no Brasil do coletivo feminista e ativista Guerrilla Girls, com dois cartazes especialmente recriados para a exposição

Luana
Detalhe de Benvenuti alla Biennale Femminista!, projeto realizado para Bienal de Veneza em 2005 (Foto: Cortesia Guerrilla Girls)

As Guerrillas Girls pediram desculpas por estarem falando em inglês na coletiva de imprensa que precedeu a abertura de sua primeira individual no Brasil. O coletivo norte-americano destaca-se no universo da arte por suas ações ativistas e discurso feminista. Contra a sociedade branca e patriarcal, criam cartazes com dados sobre a desigualdade e desafiam noções pré-estabelecidas especialmente sobre gênero e raça. Isso, no entanto, não exclui bater de frente com a centralização da cena artística na Europa e Estados Unidos. Não falaram em português, mas o diálogo foi a todo momento encorajado, assim como propõe sua produção.

As mulheres precisam estar nuas para entrar no Metropolitan Museum? (1989) (Foto: Cortesia Guerrilla Girls)

 

A exposição acontece no mezanino do 1º subsolo do MASP até fevereiro de 2018, apresenta catálogo com todos os cartazes já produzidos pelo grupo e exibe mais de uma centena deles. Ao lado de cada um, legendas com a tradução são disponibilizadas. Fora isso, duas obras foram recriadas em português, exclusivamente para o museu. O emblemático cartaz amarelo com uma figura feminina nua vestindo máscara de gorila traz dados atualizados sobre o MASP – Apenas 6% dos artistas do acervo em exposição são mulheres, mas 60% dos nus são femininos.

Ao serem convidadas pelos curadores da mostra, Adriano Pedrosa, diretor artístico do espaço, e Camila Bechelany, curadora-assistente, as Guerrilla Girls logo receberam esse percentual relativo à exposição do acervo em exibição. “Quando fazemos algo em museu, gostamos de fazer algo contra ele também”, disseram, em meio a risadas.

Vista da exposição (Foto: Luana Fortes)

 

Denominada Guerrilla Girls: Gráfica, 1985-2017, a mostra ainda conta com o produtivo dado de acontecer simultaneamente à exposição de Pedro Correia de Araújo, que ocorre até 18/11 no 2º subsolo do MASP. A fricção entre os cartazes do coletivo e a produção do modernista brasileiro, com uma expressiva presença de nus femininos, promove uma discussão ainda mais potente. A individual de Araújo integra o eixo de exibições de 2017 do MASP, que gira em torno da temática de Histórias da Sexualidade. Portanto, nada mais pertinente do que construir um embate como esse, pois enquanto existirem desigualdades, o diálogo não pode cessar. Como afirmam as Guerrilla Girls: “Ninguém está livre até que todos estejam livres”.

Serviço
Guerrilla Girls: Gráfica, 1985-2017
MASP
Av. Paulista, 1578 – São Paulo
De 28/9/17 a 14/2/18
masp.art.br
guerrillagirls.com

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