Racismo em Português – Guiné-Bissau

Segunda parte da série de reportagens de Joana Gorjão e Frederico Batista mostra como a colonização portuguesa atingiu Guiné-Bissau

Luana Fortes
Fodé Mané, antropólogo e arquivista (Foto: Adriano Miranda)

Os jornalistas Joana Gorjão Henriques e Frederico Batista visitaram Guiné-Bissau em 2015 e observaram que a ideia de que o colonialismo português foi mais brando do que outros é uma falácia. Quando entrevistaram Leopoldo Amado, o historiador questionou: “A elite académica continua a reproduzir a ideia de que há uma particularidade da colonização portuguesa, que tiveram uma colonização mais branda, etc. Mesmo em Portugal há a ideia de que é um país de brandos costumes. Brandos costumes para quem?”. Se mudarmos a palavra brando por branco, talvez a crença aproxime-se mais do que realmente ocorreu.

O português, ou a pessoa de pele clara, tinha tratamento diferenciado na época da colonização. Em que medida? Não é possível encontrar medidas para comparar graus de violência e racismo. “Medir intensidades de violência é uma calculadora que não existe”, afirmou Augusta Henriques, fundadora da ONG guineense Tiniguena, à Gorjão e Batista. A verdade é que a ideia de superioridade é inerente a processos colonizadores. E a complexidade dessa relação foi ainda mais acentuada na Guiné, administrada por Cabo Verde até 1879, além de ter sido colonizada por Portugal.

 

“É altura de deixar de fazer propaganda e de [começar] a escrever a história como ela foi”, defendeu Saico Baldé, que na época em que foi entrevistado realizava doutorado sobre migrantes guineenses em Portugal. Durante a colonização, haviam separações muito específicas entre as diversas etnias da Guiné, dentre as quais apenas 14% falam a língua portuguesa. Os que mais ultrapassavam o estatuto de indígena e se aproximavam de costumes portugueses eram chamados de “assimilados”. E quanto mais assimilado alguém fosse, mais privilegiado ele era.

Na Guiné, chegou a vigorar até 1961 o Estatuto do Indigenato, uma lei que buscava a assimilação. “Um assimilado podia andar onde quisesse, um indígena tinha de ir à administração pedir uma guia e responder a várias perguntas”, contou o antropólogo e arquivista Fodé Mané. Além disso, revelou durante a colonização, deixou de ser permitido ter um nome como o dele, “completamente africano”. Por isso, a reportagem de Gorjão, com fotos de Adriano Miranda e vídeo de Frederico Batista, denomina-se “A colônia onde todas as Fatumata tinham de se chamar Maria”. Para conferí-la integralmente, acesse: publico.pt

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