História geral da arte eletrônica

Pesquisa de Walter Zanini sobre arte efêmera e imaterial é resgatada e publicada em livro organizado por Eduardo de Jesus

Paula Alzugaray
Recorte do miolo do livro (Foto: Bill, Max/AUTVIS, Brasil, 2017)

Walter Zanini (1925-2013) fez a coordenação editorial do livro que até hoje é a grande referência em estudos da história da arte brasileira. História Geral da Arte no Brasil (Instituto Walther Moreira Salles, 1983) é dividido em faixas cronológicas escritas por especialistas convidados. Entre os autores, Alexandre Wollner, Darcy Ribeiro e Ana Mae Barbosa. Os períodos e territórios cobertos abrangem desde a arte pré-colonial e a arte índia até a arte contemporânea, o desenho industrial, a fotografia e a arte afro-brasileira. A historiografia da arte contemporânea, a cargo do próprio Zanini e dividida em cinco partes, parte do modernismo da Semana de 22 e alcança a “arte desmaterializada”, “uma arte centrada no valor da própria ideia e no valor efêmero da sua participação”, escreveu Zanini.

Mas o texto publicado em 1983 é econômico no que diz respeito à vinculação da arte com os sistemas de comunicação nos anos 1970 – leia-se super-8, vídeo, fotografia, jornais, publicações, carimbo, xerox, correio etc. –, manifestações para as quais o crítico e historiador da arte Walter Zanini tanto contribuiu ao implantar o Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP), em 1963, e atuar como seu diretor até 1978. A continuidade de sua pesquisa historiográfica nessa direção se daria apenas a partir do fim dos anos 1990, em pesquisa que agora é publicada no livro Walter Zanini – Vanguardas, Desmaterialização, Tecnologias na Arte, organizado pelo pesquisador Eduardo de Jesus.

É nessa pesquisa que Walter Zanini vai retomar o fio solto em 1983: o fenômeno conhecido por desmaterialização, que “significou, no fim do século 20, o instante crucial em que a consistente materialidade física do objeto cede a outras possibilidades de expressão e comunicação, como o uso das novas mídias”, escreve Zanini na introdução. Mas o autor adverte que o objeto de arte condenado pelas novas linguagens desmaterializadas que se impuseram nos anos 1960 já havia sofrido uma profunda reformulação na fase histórica do modernismo. O texto, portanto, remonta aos antecedentes da arte eletrônica no século 19 e retorna às novas problemáticas que se impuseram à obra de arte pelo cubismo, o futurismo, o construtivismo russo, a Bauhaus, o dadaísmo e o surrealismo.

Para chegar aos capítulos finais “A Videoarte no Brasil” e “Arte e Tecnologia no Brasil”, Zanini atravessa a história da arte internacional, passando por momentos insuspeitos como os primórdios do vídeo na obra de Lucio Fontana, na Itália (Manifesto del Movimento Spaziale per la Televisione, 1952), o cinema de artista experimental desde a Sinfonia Diagonal (1922), de Viking Eggeling, o happening do nova-iorquino Judson Dance Group e do japonês Gutai, as tendências luminocinéticas na Paris dos anos 1950 e por aí afora. Um primor de historiografia, resgatada pelo louvável trabalho de Eduardo de Jesus.

Walter Zanini – Vanguardas, Desmaterialização, Tecnologias na Arte, Organização Eduardo de Jesus, WMF Martins Fontes, 2018

Serviço
Lançamento Vanguardas, Desmaterialização, Tecnologias na Arte
Itaú Cultural
Av. Paulista, 149 – São Paulo
17/9, 19h
itaucultural.org.br

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