Identidades turvas

Em trabalhos instalativos, Sonia Guggisberg aborda o desmanche de identidades nos campos de refugiados nas portas fechadas da Europa

Paula Alzugaray
Fotografia que integra a exposição Silêncio, de Sonia Guggisberg (Foto: Cortesia da artista)

A pesquisa com as águas subterrâneas da cidade de São Paulo e com a contenção de rios e canais urbanos acabou conduzindo a artista Sonia Guggisberg aos campos de refugiados dos arquipélagos de Malta e Lampedusa, na Itália, onde as travessias das águas mediterrâneas são abruptamente interrompidas. Há três anos, a artista empreende uma pesquisa de campo nessas portas fechadas da Europa. Do contato com famílias abandonadas, em compasso de espera nos campos de detenção, ela elabora um depoimento pessoal e subjetivo sobre o processo de esvaziamento de identidades a que essas pessoas são submetidas.

Composta de fotografias, fotoinstalações, uma videoinstalação e um projeto sonoro, a exposição Silêncio funciona como uma só instalação. A soma dos trabalhos e a sobreposição de muitas vozes em uma mesma sala, no segundo andar da Casa de Cultura de Paraty, acabam por remeter ao estatuto turvo e incerto dessas identidades perdidas. O projeto sonoro, por exemplo, é formado pela sobreposição de seis grupos sonoros – água, motores de barcos, corpo humano, rezas e orações, crianças brincado e cantos festivos. Além disso, a opção pela fotografia impressa em diferentes camadas de voile vem acentuar a opacidade da imagem, contribuindo para a assertividade da mensagem.

A exposição foi realizada com o apoio dos consulados gerais da Suíça em São Paulo e no Rio de Janeiro, por ocasião do 15º Festival Paraty em Foco, sintomaticamente no ano em que se comemoram os 200 anos da imigração suíça no Brasil.

Serviço
Silêncio, individual de Sonia Guggisberg,  encerrada, Casa da Cultura de Paraty

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