A Ilha dos Mortos

No esquenta para a próxima edição de seLecT, dedicada às migrações, peça da Cia. Nova de Teatro tem texto inspirado em refugiados na Itália

Felipe Stoffa

Publicado em: 30/06/2016

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Cena da peça Barulho d'Água (Fotos: Henrique Oda)

Foi no ano de 2009 que o dramaturgo italiano Marco Martinelli partiu para Lampedusa, pequena ilha localizada entre a Sicília e a Tunísia, banhada pelo Mar Mediterrâneo. Este mar é o local que muitas embarcações, lotadas de refugiados, enfrentam ao realizar a travessia da África e Ásia para os países da costa da Europa. E não é a toa que Lampedusa é conhecida como Ilha dos Mortos. Foram muitos os casos de naufrágio de embarcações que tentaram chegar ao país.

Na ilha, Martinelli recolheu diversos depoimentos de imigrantes que buscavam asilo. E produziu uma dramaturgia que aborda a situação trágica enfrentada pelos refugiados, desde a fuga de seus países de origem até a chegada à costa da Europa. Os que chegam, dificilmente encontram um cenário favorável, isso quando não são deportados ou esquecidos pelas autoridades responsáveis.

A partir do texto de Martinelli, a Cia. Nova de Teatro, que comemora seus 15 anos de existência, apresenta o espetáculo Barulho d’Água, com adaptação realizada por sua diretora, Carina Casuscelli, e traz dois personagens na peça: um general, interpretado por Vicente Latorre, e os refugiados, interpretados pelo ator Alexandre Rodrigues, também responsável pela tradução da dramaturgia. “Enquanto um é marcado pela crueldade, o outro simboliza as vozes de homens, mulheres e crianças que tentam buscar um pouco de esperança e sobrevivência”, afirma Casuscelli.

Cena da peça Barulho D'agua. Na Foto, os atores Alexandre Rodrigues (à esq.) e (Foto: Henrique Oda)

Cena da peça Barulho D’agua. Da esq. para a dir., os atores Alexandre Rodrigues e Vicente Latorre 

Cena da peça Barulho D'água (Foto: Henrique Oda)

Cena da peça Barulho d’Água

Segundo Casuscelli, o general representa os órgãos oficiais europeus que praticam a política de acolhimento dos refugiados. “Esse personagem diabólico é, por vezes, grotesco, desequilibrado, psicótico, sádico, cínico, fatalista, mas, também, um simpático porteiro de certa ilha dos mortos, com a missão de reunir e contar as almas de imigrantes”.

Mas a peça não se concentra apenas nos dois atores. O bailarino colombiano Omar Jimenez marca presença com suas intervenções performáticas. Além de Jimenez, a atriz Rosa Freitas interpreta a trilha experimental produzida por Wilson Sukorski, músico paulistano.

Uma das marcas da Companhia é a utilização de projeções no palco. “O tempo inteiro há a interação do vídeo com o corpo. Ele acaba virando outra plataforma visual, como se fosse uma linguagem distinta que fizesse parte da peça”, diz Carina. Mas as projeções não nos leva às paisagens italianas. Foram escolhidas imagens de espaços entre Rio de Janeiro e São Paulo como ambientação da peça. “Obviamente tudo é muito fiel ao texto, mas conseguimos dar uma ampliada para falar de outros lugares, porque a Ilha dos Mortos pode ser aqui também. Por que não?”, diz a diretora, ao se referir à chegada da população haitiana no Brasil.

A peça estreia em 1/7 (sexta-feira), no Teatro Municipal João Caetano, e segue em cartaz até 24/7. Depois, é encenada nos Teatros Cacilda Becker e Alfredo Mesquita, ambos em São Paulo.

A situação dos refugiados e imigrantes é um grande alarme mundial e político, e também tema da próxima edição de seLecT, que chega às bancas a partir de agosto.

Alexandre Rodrigues em cena de Barulho d'Água (foto: Henrique Oda)

Alexandre Rodrigues em cena de Barulho d’Água 

Serviço
Barulho d’Água
Teatro Municipal João Caetano
Rua Borges Lagoa, 650, Vila Clementino, São Paulo
De 1/7 a 24/7
Tel.: (11) 5573 3774 | 5549 1744

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