A imagem revitaliza a História

Estreia do Valongo Festival Internacional da Imagem acontece entre 12 e 16/10 tendo como cenário o Valongo santista

Ana Abril e Luciana Pareja Norbiato
O centro histórico de Santos recebe a 1ª edição do Valongo - Festival Internacional da Imagem (Foto: Paula Alzugaray)

Acostumado a criar programações baseadas na imagem em meio a um sítio colonial, Paraty (litoral do Rio de Janeiro), Iatã Cannabrava resolveu inovar.  Aproveitou a recente valorização da região portuária de Santos, a exemplo do processo que aconteceu no Rio de Janeiro com as Olimpíadas, para levar a imagem a um novo cenário: o Valongo santista. Nasceu assim o Valongo Festival Internacional da Imagem, cuja primeira edição está acontecendo entre os dias 12 e 16/10, com exposições, workshops, conversas e eventos paralelos de fotografia, vídeo e cine.

A ideia casou perfeitamente com a progressiva revitalização do Valongo santista (projeto Alegra Santos), que guarda os resquícios da cultura colonial portuguesa de uma das cidades mais antigas do país. Santos surgiu como povoado em 1536 e foi elevado a Vila em 1545. Assim, joias da arquitetura histórica, como a Casa da Frontaria Azulejada (1865) e o Santuário de Santo Antônio do Valongo (1640), servem de cenário para as atividades do evento.

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Interior da Bolsa do Café (Foto: Luciana Pareja Norbiato)

O Valongo Festival tem fôlego para evoluir a cada edição, impulsionado pelo charme de prédios como a Bolsa do Café, onde os negociantes de café do século 19 e 20 faziam a cotação do produto antes de exportá-lo no maior Porto do Brasil, cujas ruínas originais de 1892 ainda podem ser vistas. O Museu Pelé, que tem como vizinhos o Santuário de Santo Antônio do Valongo e a Estação de Trem do Valongo (1867), é um casario do século 19 que foi totalmente reconstruído a partir dos muros das fachadas, únicos remanescentes do incêndio que o destruiu, e hoje serve de centro de operações do Festival.

Ao mesmo tempo, com a consolidação do Valongo santista como ponto turístico ao longo dos anos, o festival de Cannabrava também terá a ganhar. Se os dois projetos, o Alegra Santos e o Valongo Festival Internacional da Imagem tiverem continuidade e se consolidarem, um alimentará o outro, e quem ganha é o público.

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Oficina Cultural Pagu, na Praça dos Andradas, compartilha espaço com foto ampliada de Julio Bittencourt (Foto: Ana Abril)

O Festival acolhe exposições permanentes (que ficam até 16/19) como a de Cassio Vasconcellos, Julio Bittencourt, Jane Campion e Horacio Fernández, na Oficina Cultural Pagu. Os Arcos do Valongo também recebem a exposição Transputamierda, de Federico Rios Escobar, e Viagens pela Larga Fronteira, de Juan Valbuena, enquanto a Casa da Frontaria Azulejada divide seu espaço entre Bill Morrison e Roberto Huarcaya.

Tanto exposições quanto palestras e conferências têm entrada franca. Urbanização, fotolivros, aborto e feminismo, cinema, e fotografia são temas abordados nas mesas de debate que contam com a participação de artistas como Cris Bierrenbach e Giselle Beiguelman (que também faz parte do conselho editorial da seLecT), fotógrafos como Maureen Bisilliat e Oscar Muñoz, e cineastas como Jorge Bodanzky e Gabriel Mascaro.

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Centro Histórico de Santos, onde acontece o Valongo Festival Internacional da Imagem (Foto: Ana Abril)

Workshops onde a imagem é posta em debate e estudada desde as mais diferentes perspectivas também fazem parte da programação. Alguns deles são pagos, como o de Rosa Likson e Eryk Rocha, e outros, gratuitos, como as Oficinas Audiovisuais do Instituto Querô. A noite santista também estará ocupada por atividades como a Batucada Poética, que propõe uma reflexão sobre liberdade, democracia e a força da mulher misturando poemas de Clarice Lispector com música e teatro.

Confira a programação completa.

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