Impulso Historiográfico

Leia o texto completo do projeto Impulso Historiográfico, de Giselle Beiguelman, e veja o link para o texto original de Hal Foster

Giselle Beiguelman

Impulso Historiográfico é um híbrido de trabalho artístico e ensaístico. Reescrevo, em forma de paráfrase, o artigo seminal de Hal Foster, An Archival Impulse, publicado em 2004 na revista October, editada pelo próprio Foster, com Rosalind Krauss e Benjamin Buchloch, entre outros, e publicada pela MIT Press.

Foster defende a emergência de uma arte arquivística, que contempla uma gama de artistas, cuja produção se voltava para a informações históricas, muitas das quais perdidas ou deslocadas, para fazer com estivessem fisicamente presentes. Esses artistas, “não apenas recorrem a arquivos informais, mas os produzem” e ao fazê-lo, criam mundos próprios.

Do meu ponto de vista, aí reside a diferença entre artistas arquivistas e artistas historiadores. Apesar de compartilharem várias das estratégias dos artistas arquivistas, na categoria da organização sistêmica das informações, os artistas historiadores, não estão tão preocupados com a criação das lógicas internas entre os dados, ou com a invenção de mundos baseados em arranjos simbólicos de objetos e textos. Seu mote é a demanda por uma outra forma de conhecimento do presente pelo acesso ao passado.

Acredito que há um impulso historiográfico marcante na produção que vem do Sul Global, onde as lutas pela recuperação do direito à memória são uma questão central. Isso porque aí estão em jogo interdições caladas durante décadas nos porões das ditaduras, disputas de narrativas, memórias traumáticas e heranças da brutalidade do colonialismo.

Sigo no meu texto exatamente a mesa estrutura de Foster, respeitando, inclusive, o mesmo posicionamento das notas de rodapé e das imagens que aparecem em An Archival Impulse. O raciocínio é feito em paralelo, com base em três artistas, tal qual ele o fez. No lugar de Thomas Hirschhorn, Tacita Dean e Sam Durant, tomo a liberdade de analisar Bruno Moreschi, Bianca Turner e Jaime Lauriano.

Hal Foster afirma que a arte arquivística que emergia era bem-vinda, em um momento em que tanto artística quanto politicamente, quase tudo valia e nada ficava. Contextualizava essa afirmação diante de uma então recente Bienal do Whitney, que ignorava uma guerra atroz, no exterior, e um forte debate político no interior. Lembrava ainda que seu título ecoava um outro estudo de Craig Owens, The Allegorical Impulse: Notes Toward a Theory of Postmodernism (1980), e outro de Benjamin H. D. Buchloh, Gerhard Richter’s Atlas: The Anomic Archive (1999).

No meu caso, saúdo essa arte historiográfica, também destacando um momento perturbador em que, tanto artística quanto politicamente, quase tudo passa e quase nada fica. Por exemplo, dificilmente algum imaginaria, ao visitar a Bienal de São Paulo de 2018, que estamos em um país, onde voltarmos a presenciar, a derrubada de governos pelo golpe, atos de censura a exposições artísticas e manifestações pela volta à Ditadura. Também eu tomo o meu título emprestado. Não só de Foster, mas de conversas com a curadora Ana Pato, à época em que orientei seu Doutorado na USP (2014-2017), sobre um perfil de artistas que denominamos de “artistas-historiadores”.

O texto que segue aqui e é publicado pela revista seLecT está in progress. Agradeço a Paula Alzugaray e Márion Strecker, editoras da revista, pela confiança e, especialmente, ao Professor Hal Foster, pela autorização de republicar e retrabalhar seu original. O trabalho final deve resultar em uma publicação e leituras públicas dessa conversa sui generis entre revistas, artigos, autores e artistas.

Leia aqui o projeto Impulso Historiográfico

Baixe o texto original de Hal Foster aqui

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