Infotatuagens

Códigos de barras lidos pelo celular dão dimensão interativa à intimidade e às cidades

Giselle Beiguelman

N° Edição: 3

Publicado em: 02/01/2012

Categoria: A Revista, Reportagem

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O uso de QR-Codes é cada vez mais intenso. Literalmente, QR-Code quer dizer Código de Resposta Rápida (Quick Response Code). Trata-se de um código de barras que pode ser lido pelo celular e carregar uma variedade de tipos de informações, como endereços de sites, textos e números de telefone. sua saída gráfica, como um mosaico, lhe confere um charme estético especial. A facilidade de produzi-lo e sua versatilidade – adere a praticamente qualquer superfície, de papel a tecidos, passando por cimento e até comida – estão associados à sua disseminação.

Outro motivo de sucesso é o fato de nos liberar da tarefa tediosa de digitar nas minúsculas teclas dos celulares. Basta apontar o celular e capturar informações sobre prédios históricos, legendas de quadros, procedência de alimentos nos supermercados, endereços, uRLs etc. tudo isso enquanto estamos em deslocamento pelas ruas ou envolvidos em outras atividades. Os QR-Codes, nesse sentido, podem ser entendidos, portanto, como a primeira forma de escrita desenvolvida para leitores nômades. Isso explica, talvez, por que, aos poucos, esse tipo de código se converte numa espécie de tatuagem das cidades do século 21, transformando o celular em um scanner portátil de informações invisíveis. alguns usos surpreendem. Confira aqui.

Vida e Morte 2.0

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No Japão, onde a tecnologia do QR-Code foi inventada em 1996, criou-se também uma das possibilidades mais inusitadas de uso desse código de barras. Uma empresa de túmulos oferece aos clientes lápides com QR-Codes. Eles permitem aos entes queridos do falecido linkar para sempre fotos, vídeos e biografia à sua alma e à curiosidade dos que ficam. Outro uso bem inusitado e que vem ganhando o público é destinado àqueles com fome de viver: bolos e biscoitos com mensagens a ser decifradas pelos gulosos. Seria o fim dos famosos biscoitinhos chineses da sorte?

Cidades Expandidas

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Geralmente associados aos formatos de pequeno porte, os QR-Codes são também projetados para grandes escalas, chegando a medir 10 mil m2. O objetivo é não só entrar para o Guiness, mas também disputar um lugar ao sol no Google Maps, sendo visível nas imagens que chegam via satélite às nossas telas e telinhas.

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Sem apelar para o gigantismo, um jardim público francês acaba de implantar um QR-Code botânico. Difícil assegurar se é o primeiro ou o único desse tipo no mundo. É, certamente, um dos mais bonitos. Ele dá acesso a um site mobile que contém um audiotur pelo parque. Menos saudável, uma marca de cigarros eslovena lançou uma embalagem com QR-Codes. Ao ser lido pelo celular, leva a um site que mostra onde é permitido fumar nas redondezas.

QR-Arte

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Campanha publicitária mescla street art com com QR-Code

QR-Codes e street art parecem linguagens tão bem casadas que acabaram inspirando uma das campanhas publicitárias mais interessantes dos últimos tempos. Desenvolvida pela agência Leo Burnett de Hong Kong para a loja on-line de música Zoo, espalhou pelas ruas stencils e stickers de bichos montados com QR-Codes. Conforme se decodificam as partes dos animais, acessam-se faixas musicais. Valeu à agência o Leão de Ouro no festival de publicidade de Cannes deste ano.

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QR-Code usado em obra artística de Pedro Morales

Mas, se a publicidade apropria-se das linguagens da arte, também os artistas têm demonstrado capacidade de repropor os usos publicitários do QR-Code. Projetos como Sensitive Rose, de Martha Gabriel, que mapeia os desejos do público a partir de uma rosa-dos-ventos desenhada com QR-Codes, ou a composição musical interativa Suite para Mobile Tags (de minha autoria e de Mauricio Fleury), são alguns exemplos. Mas a diversidade é muito grande. Originais e instigantes são as tapeçarias do venezuelano Pedro Morales, que trazem frases politizadas entre as delicadas pétalas brancas e pretas dos desenhos. Mais, “para não dizer que não falei das flores”, impossível.

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Modelo participa de projeto multimídia do designer Michael Hardt (Foto: Per Zennstro)

QR-Codes em camisetas e aplicados em acessórios tornam-se cada vez mais comuns, atiçando a curiosidade dos passantes sobre o que dizem. Mas esse jogo de mistério ganha ares mais intrigantes com etiquetas adesivas, tatuagens e desenhos feitos com hena. Para decifrar o que se esconde aí é preciso mirar as partes do corpo que estão codificadas.

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O sucesso desse tipo de interação está por trás do tipo de aposta de um site de relacionamento que mescla moda e redes sociais, o Skanz, que vende pulseiras de silicone com QR-Codes. Cada pessoa cadastrada no site monta um perfil com seus dados pessoais, Facebook, Twitter etc. O código de acesso a esse perfil é distribuído nas pulseiras. Ao ser escaneado por outro celular, disponibiliza na sua tela o perfil do empulseirado. Para sentir-se literalmente nas mãos do outro ou, no mínimo, um banco de dados ambulante.

Publicado originalmente na #select3.

Créditos das fotos não especificados nas legendas estão disponíveis nos sites linkados no texto do artigo.

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