Interações artísticas

Palácio de Versalhes anuncia 9ª edição de sua polêmica mostra de arte contemporânea, trazendo Olafur Eliasson

Ana Abril

Publicado em: 06/05/2016

Categoria: Da Hora, Notícias Quentes

Reflexo do Palácio de Versalhes (Foto: Studio Olafur Eliasson - Instagram)

O contraste entre a arquitetura clássica com elementos barrocos e a arte contemporânea de nomes como Takashi Murakami e Anish Kapoor volta aos holofotes com a nova exposição de arte contemporânea do Palácio de Versalhes. A mostra iconoclasta chega a sua 9ª edição trazendo o dinamarquês Olafur Eliasson, que tensionará os limites entre passado e presente entre os dias 7 de junho e 30 de outubro.

A interação entre o espaço de Versalhes e artistas contemporâneos é sempre uma experiência inusitada. A exposição de Takashi Murakami, em 2010, foi um exemplo. As 22 figuras expostas formaram uma rica mistura entre a arte tradicional e contemporânea japonesa e a arte pop norte-americana – e deram o que falar.

Naquele ano, a polêmica ficou por conta das figuras Kaikai e Kiki, que cercavam a estátua de mármore de Luís XIV, no salão de Vênus. Os dois bonecos sorridentes, coloridos e orelhudos, posicionados sobre um pedestal de flores, foram alvos dos olhares incrédulos dos visitantes.

Kaikai e Kiki, de Takashi Murakami (Foto: Kana Sunayama)

Kaikai e Kiki, de Takashi Murakami (Foto: Kana Sunayama)

Em 2015, a polêmica não foi menor. A obra Dirty Corner, de Anish Kapoor, instalada nos jardins do Palácio, foi atacada em três ocasiões. O fato aconteceu em retaliação à conotação sexual da enorme escultura, apelidada como “vagina da rainha”.

Dirty Corner, de Anish Kapoor (Foto: Stephane de Sakutin/AFP/Getty Images)

Dirty Corner, de Anish Kapoor (Foto: Stephane de Sakutin/AFP/Getty Images)

À primeira vista, a exposição deste ano não será tão controversa. As obras do dinamarquês Eliasson são influenciadas pela natureza e pelo uso da tecnologia para recriar o natural. O artista utilizará os espaços do palácio e dos jardins como fontes de experimentação. Por isso, sua mostra não contará com a instalação de objetos, mas sim com dispositivos que interagem com o espectador.

Eliasson explica que sua exposição estará dividida em dois grupos: “Fiz uma série de sutis intervenções espaciais baseadas em espelhos e luzes”, conta. Neste ambiente, o olhar do espectador é fundamental para apreciar o jogo de espelhos posicionados um defronte ao outro, criando um efeito de reflexo infinito. Nos jardins, por sua vez, a água é o elemento principal. “Usei a neblina e a água para ampliar a sensação de permanência e transformação”, conta.

O trabalho de Eliasson em Versalhes começou com um estudo rigoroso do espaço. O artista visitou várias vezes o Palácio à procura de inspiração. Ele pediu inclusive para caminhar sozinho pelo local à noite. Tudo isso para capturar impressões e sensações capazes de criar uma relação única com os mistérios de Versalhes.

Serviço
Palácio de Versalhes
Place d’Armes, 78000 – Versailles (França)
De 7 de junho a 30 de outubro
Palácio (De terça-feira a domingo, das 9h às 18h30)
Jardins (Todos os dias, das 8h às 20h30)

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