Intercâmbio em Latitude

Iniciativa Art Immersion Trip trouxe grupo de colecionadores internacionais para conhecer mais sobre o mercado de arte brasileiro

Felipe Stoffa

Publicado em: 03/10/2016

Categoria: Da Hora, Destaque, Mercado de Arte

Grupo de colecionadores convidados pelo projeto Art Immersion Trip (Foto: Divulgação)

Encerrada no último final de semana, a ArtRio, uma das maiores feiras de arte no Brasil, apesar de ter apresentado edição mais modesta em comparação aos anos anteriores, alcançou bom resultado de vendas. A pequena participação de galerias estrangeiras acabou por dificultar a passagem de compradores internacionais pelo evento, mas esse fato não inviabilizou a locomoção da cena artsy para a metrópole carioca e muito menos a movimentação de grandes cifras durante os 5 dias em que a feira esteve aberta, na recém revitalizada região portuária.

Entre alguns dos projetos realizados e o número de colecionadores que acompanharam o agito do calendário brasileiro, vale destaque para a continuidade da iniciativa Art Immersion Trip, organizada pelo projeto Latitude, formado pela ABACT – Associação Brasileira de Arte Contemporânea – em parceria com a APEX, agência para promoção de exportações e investimentos vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. A plataforma auxiliou a vinda de um grupo de colecionadores internacionais, cujo roteiro de viagem tinha como destinos, além da própria feira, visitas à ateliês, galerias e, por fim, à 32ª Bienal de São Paulo. São eles: Andrea Von Goetz (Alemanha), Bao Dong (China), Felicia Chen (China), Karoline Pfeiffer (Alemanha), Karsten Schmitz (Alemanha), Mariangela Capuzzo (EUA), Pascal Decker (Alemanha), Zhang Li (China), Zara Stanhope (Austrália), Zhuzhu (China), Daniel Faust (Alemanha), Klaudio Rodriguez (EUA), Jordana Pomeroy (EUA) e Sarina Tang (China).


Formar coleções
Apesar de diversificado, o grupo de colecionadores mantinha um interesse em comum em estabelecer relações com o mercado brasileiro. Para muitos, a viagem tornou-se uma oportunidade de conhecer o país pela primeira vez, como no caso da alemã Karoline Pfeiffer. Diretora da plataforma online Independent Collectors, Pfeiffer estudou história da arte, teatro e história moderna e já teve passagem por diversas instituições culturais entre Berlim, Nova Iorque e Paris.

Dividir a paixão pela arte e a necessidade de se mostrar coleções é um dos objetivos do IC, site que conta com mais de 5 mil colecionadores de 97 países ao redor do mundo. Nele, estão inscritos desde grandes até pequenos colecionadores que, além de se comunicarem, também podem apresentar ao mundo suas aquisições. “Oferecemos um espaço público no site que é abastecido com exposições online, além de entrevistas com colecionadores e grupos ao redor do mundo. Assim, mantemos o foco em divulgar coleções privadas de apaixonados por arte e, principalmente, queremos disseminar a cultura do colecionismo”, diz Pfeiffer à seLecT.

Uma das ações que o site viabilizou foi atrair o público iniciante, entre 30 e 40 anos, que promovem a inserção de jovens artistas para além de um mercado concretizado em grandes nomes. “Ao divulgar trabalhos de coleções privadas, acredito que os colecionadores não querem somente mostrar seus rostos, mas sim apresentar seus artistas. Eles estão realmente interessados em promover jovens artistas, ainda que grandes coleções também figurem em nossa plataforma, como por exemplo o Inhotim, uma das maiores coleções privadas brasileiras”, comenta a alemã. Ao falar sobre os jovens compradores, Pfeiffer acredita que, apesar de não serem ainda famosos, essa massa de iniciantes pode se destacar no futuro e, acima disso, estimular e acompanhar o surgimento de cenas mais frescas no mundo da arte.

Contente com a viagem, em que teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a arte brasileira, comenta: “Apenas grandes nomes como Ernesto Neto e Beatriz Milhazes eram familiares para mim, ou galerias como Fortes Vilaça e Luisa Strina, que são frequentemente representadas em feiras na Europa. Conheci muita gente, jovens artistas, modelos de trabalhos e muito mais. E não estou apenas aprendendo sobre a cena artística brasileira, como pude dividir comentários com colecionadores que vieram também de outros lugares”.

Ao ser perguntada sobre a representação da arte alemã no Brasil, Karoline se diz surpresa com a inserção de seu país em ambientes como a ArtRio ou até mesmo na Bienal de São Paulo. “Ao visitar alguns ateliês de artistas durante a viagem, fiquei muito impressionada com o nível de informação sobre o mercado de arte europeu. Acredito que eles sabem muito mais sobre artistas alemães do que artistas alemães sabem sobre os brasileiros”, conclui.  Ainda que não tenha comprado nenhuma obra, Pfeiffer promete projetos futuros, principalmente para seu site, além de artigos e ensaios.

A alemã Karoline Pfeiffer é fundadora e diretora da plataforma online IC - Independent Collectors (Foto: Anastasia Muna)

A alemã Karoline Pfeiffer é diretora da plataforma online IC – Independent Collectors (Foto: Anastasia Muna)

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