Janaina Tschäpe e as três línguas

Enquanto produzia as seis grandes telas que vão compor sua exposição individual na galeria e no galpão Fortes Vilaça, a artista pensava em alemão, português e inglês

Paula Alzugaray

N° Edição: 30

Publicado em: 10/06/2016

Categoria: A Revista, Em Construção

(Foto: Ricardo Kugelmas)

Enquanto produzia as seis grandes telas que vão compor sua exposição individual na galeria e no galpão Fortes Vilaça, em São Paulo, durante o mês de junho, Janaina Tschäpe pensava em três línguas: o alemão, sua língua materna, o português, o idioma paterno, e o inglês, a língua da cidade onde escolheu viver.

No estúdio do Brooklyn, em Nova York, as palavras não se atrevem a entrar no terreno da pintura. Elas permanecem no campo mental, flutuantes no espaço, ou espalhadas em folhas de papel jogadas sobre a mesa de trabalho.

O substantivo fruta, o adjetivo neue, o advérbio de tempo until I come, embaralhados em experimentos visuais e sonoros, chocam-se uns com os outros, como em um jogo de desmontar. Depois de tanto voar e dispersar, sem nunca invadir o campo pictórico (numa espécie de namoro respeitoso), as palavras pousam nos títulos das obras, intercalando os três idiomas em longas frases. Pássaro (Hat Mich Aufgefressen) é o título de uma delas. (Neue Früchte) Fruta nomeia uma outra. Escritos à mão com cores fortes, os títulos às vezes chegam a ser colados na parede, orbitando as telas, ensaiando confrontos.

A fricção entre idiomas está nos títulos e no nome de Janaina Tschäpe. No campo do trabalho plástico, é do atrito que ela extrai uma linguagem particular. É nos desencaixes entre o desenho e a pintura e nos desarranjos de suas técnicas mistas que se fazem suas paisagens fabulescas, trilíngues e sem tradução.

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