Laboratório Cognitivo

Nelson Brissac

Publicado em: 07/06/2012

Categoria: Especial Rio+20, Reportagem

Petróleo do pré-sal carrega inovação industrial, revitalização urbana e potencializa o Rio como laboratório de arte e ciência

Labcog

Legenda: LABCOG – Laboratório Cognitivo – na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, é centro de pesquisa científica de ponta que reflete impacto tecnológico do pré-sal (Imagem: divulgação)

Estávamos acostumados a ver o Rio de Janeiro como um balneário, meio graciosamente decadente, meio violento, desde que deixou de ser a capital do país. Mas agora a cidade está empenhada na recuperação da sua área central, na construção de novos equipamentos culturais e esportivos e na reintegração social e urbana das favelas. Essa transformação está sendo impulsionada por um intenso processo de industrialização. É isto que está dando suporte econômico para boa parte das obras e para a geração de empregos para aquela população antes marginalizada.

No Rio, o petróleo do pré-sal carrega a inovação industrial e a revitalização urbana. Do outro lado da Baía de Guanabara, em Itaboraí, a Petrobras e a Braskem estão construindo um complexo petroquímico (Comperj) que vai gerar seus produtos a partir de gás natural, oriundo do pré-sal. Mais ao norte, o grupo de Eike Batista está implantando o porto do Açu, um complexo industrial que receberá siderúrgicas (Wisco e Ternium), terminal de minério (Anglo American), fábrica de equipamentos para a área de petróleo e energia (GE), estaleiro e fábrica de cimento (Votorantim). Ao sul, na Baía de Sepetiba, estará instalada a mais nova usina siderúrgica do Brasil, a CSA (Thyssen). Ao lado, o porto de Itaguaí abriga terminais da Vale, da CSN e da Usiminas, além de área de armazenamento de contêineres.

Na cidade, na Ilha do Fundão, a Petrobras e diversas empresas de ponta estão estabelecendo um parque tecnológico de pesquisa em petróleo, gás e energia, além de meio ambiente e Tecnologia da Informação. Mais de dez centros de pesquisa vão reunir empresas como a Siemens, Halliburton, Usiminas, EMC Computer Systems e GE (General Electric).

Ali está instalado o LabCog, o Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da Coppe-URFJ, que tem o maior computador de uso público da América Latina. O LabCog possui também uma Cave, caverna de visualização em que é possível manipular (em ambiente imersivo) imagens em 3D de altíssima definição. Esse é um dispositivo indispensável para o trabalho no pré-sal, pois, devido às grandes profundidades marítimas, todas as operações têm de ser feitas por ferramentas robóticas, demandando acompanhamento remoto. Disponibilizado para experimentos, esse equipamento poderá servir a artistas, arquitetos e outros criadores.

Nelson Brissac é filósofo e curador do projeto arte/cidade. É autor de Paisagens Críticas – Robert Smithson: arte, ciência e indústria (prêmio Jabuti 2011), entre outros.

*Publicado originalmente na edição impressa #5.

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