Lição de coletividade

Quarta edição da MADE aposta na produção coletiva e amplia horizontes em um diálogo com as artes visuais

Felipe Stoffa

Publicado em: 09/08/2016

Categoria: Da Hora, Destaque, Mercado de Arte, Notícias Quentes

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Vista externa da feira, que acontece no Jockey Club, em São Paulo (Foto: Massimo Failutti)

Em sua quarta edição, a MADE (Mercado Arte Design) abre suas portas no Jockey Club em São Paulo e inicia o calendário do DW! (Design Weekend). A curadoria do evento, assinada pelo seu diretor, Waldick Jatobá, adotou como tema o próprio fazer coletivo, o que faz com que o evento ressalte não apenas o caráter jovem e inovador do design brasileiro, como também lança um frutífero diálogo entre campos, ao entrar com os dois pés nas artes visuais.

“Cada vez mais o design compartilha o movimento da arte contemporânea”, disse Jatobá à seLecT, ao afirmar que a curadoria procura assimilar três eixos principais: o design colecionável, design arte e design autoral. Isso parece claro quando, logo ao entrar na feira, nos deparamos com uma instalação produzida pelo artista Eric Rieger, projeto encomendado pela Melissa. Mas esse não é o único trabalho encontrado alí. São mais de quatro instalações sensoriais que envolvem o público, além da parceria com o jornalista Celso Fioravante, que lança o projeto PaperMADE, dedicado a trabalhos de artistas que utilizam o papel como suporte ou próprio meio de produção de suas obras.

Vista do evento com destaque para a instalação produzida por Eric Rieger (Foto: Massimo Failutti)

Vista do evento com destaque para a instalação produzida por Eric Rieger (Foto: Massimo Failutti)

A preocupação em dar voz e inserir os jovens talentos no mercado também é outro fator que marca a qualidade autoral do projeto. São diversos stands de coletivos e designers que apresentam uma produção utilitária marcada pelo frescor identitário de nosso país. “O jovem brasileiro está fazendo um trabalho que não se prende mais a modelos internacionais”, afirma Waldick Jatobá. Para completar, a feira está abastecida com uma programação que inclui palestras e workshops com artistas, designers, arquitetos e editores.

Novas apostas
De forma geral, a atual edição da MADE é um reflexo de iniciativas concretizadas através de boas parcerias. Nesse ponto, vale destaque para o stand da ArteSol, plataforma que pretende estimular o artesanato tradicional, que trouxe com a própria feira o artista belga Sep Verboom para realizar uma residência de 18 dias em Coqueiro do Campo, região localizada no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, conhecida pelas cerâmicas produzidas por artesãs locais. Essa troca de saberes possibilitou a produção da série Caro Barro, fruto da imersão de Verboom junto com as ceramistas.

Cerâmicas produzidas por Sep Verboom em parceria com artesãs de Coqueiro Campo (Foto: Felipe Stoffa)

Cerâmicas produzidas por Sep Verboom em parceria com as artesãs de Coqueiro Campo (Foto: Felipe Stoffa)

Residências formaram outro fio condutor do evento. Além da ArteSol, é apresentada a produção resultante do programa de residência artística re.de.sign, idealizado pelo curador Bruno Simões, que aposta na possibilidade de ampliar o cenário do design brasileiro. O convidado da vez foi o artista visual norueguês Magnus Pettersen, integrante da dupla Pettersen & Hein, que ficou em São Paulo durante 60 dias, tempo suficiente para acarretar uma mudança em seu trabalho. O resultado é apresentado no stand do projeto.

Oioioi (Foto: Felipe Stoffa)

Parte dos mobiliários e obras que Magnus Pettersen apresenta na MADE (Foto: Felipe Stoffa)


Arte, design e arquitetura

Os projetos apresentados no Jockey Club se destacam a partir das relações entre artes visuais, design e arquitetura. Na área externa, pode-se conferir o projeto arquitetônico Galer[it], desenvolvido pelo escritório Contain[it] para a galeria paulistana Baró. A combinação de utilitarismo, arquitetura e design em procura de uma nova forma de galerismo resultou em uma galeria nômade, em que suas estruturas são formadas por containers. Ao fim do evento, o cubo branco móvel será instalado na própria Baró, no bairro dos Jardins.

Cubo branco móvel, projetado pela Contain[it] para a galeria Baró (Foto: Felipe Stoffa)

Galer[it], cubo branco móvel, projetado pela Contain[it] para a galeria Baró (Foto: Felipe Stoffa)


Apesar de ocupar um espaço pouco privilegiado, Celso Fioravante, curador do Salão dos Artistas Sem Galeria, apresenta junto com Waldick Jatobá o projeto de peso PaperMADE, que consiste em uma seleção de obras produzidas apenas em papel. Os trabalhos foram escolhidos pelo próprio Fioravante, a partir das obras de todos os artistas que já participaram das edições dos Salão. São desenhos, fotografias, gravuras e intervenções. “O papel como suporte está ganhando peso e reconhecimento, muito por conta dos livros de artistas, como também em espaços dedicados ao material, como a feira Tijuana”, disse Fioravante à seLecT, que também já adiantou planos futuros: produzir uma feira de arte com obras apenas em papel.

Espaço dedicado ao projeto PaperMADE (Foto: Felipe Stoffa)

Espaço dedicado ao projeto PaperMADE (Foto: Felipe Stoffa)

Em parceria com a joalheria Talento, Jatobá lança o projeto Joias de Artistas, que tem como objetivo produzir anualmente joias assinadas por artistas visuais, durante 5 anos. A iniciativa foi inaugurada com o lançamento do famoso colar de água-marinha, desenhado e usado apenas uma vez por Lina Bo Bardi, roubado na própria residência da arquiteta, a Casa de Vidro. O relançamento da peça conta com apenas dez edições, que serão comercializadas em galerias entre São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Protótipo do colar de água-marinha, em exposição na feira (Foto: Felipe Stoffa)

Protótipo do colar de água-marinha, em exposição na feira (Foto: Felipe Stoffa)

Crise econômica? A MADE parece estar longe disso. “Logo que iniciamos os planejamentos da atual edição, já contávamos com um número fechado de expositores”, disse Jatobá, que tem como sócios os diretores Bruno Simões e Elcio Gozzo.

Serviço
MADE – Mercado.Arte.Design
Jockey Club
Avenida Lineu de Paula Machado, 1173, Cidade Jardim, São Paulo
Até 14/8
Terça a Sexta, das 13h às 21h; sábado, das 12h às 21h; domingo, das 12h às 20h

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