Lina Bo Bardi encontra Sverre Fehn

Insólita exposição na Noruega coloca em diálogo a Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi, e o pavilhão de vidro do arquiteto Sverre Fehn

Ana Abril
Interior do Pavilhão Nórdico em Veneza, de Sverre Fehn (Foto: Reprodução)

O arquiteto norueguês Sverre Fehn e a ítalo-brasileira Lina Bo Bardi nunca se conheceram, apesar de serem contemporâneos com concepções arquitetônicas análogas. Mais de cem anos depois do nascimento da idealizadora do MASP e do SESC Pompéia, os trabalhos de Bo Bardi se encontram com os de Fehn, em Oslo (Noruega). O pavilhão de vidro de Sverre Fehn, no The National Museum – Architecture, abriga em seu interior a famosa Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi.

Montagem da instalação de Veronika Kellndorfer, em Oslo (Fotos: Cortesia da artista)

Montagem da instalação de Veronika Kellndorfer, em Oslo (Foto: Cortesia da artista)

O milagre se produz graças à instalação da artista alemã Veronika Kellndonfer, que reproduz, em uma menor escala, a casa situada no bairro paulistano de Morumbi. Kellndorfer realiza serigrafias sobre enormes panéis de vidro para simular de uma forma pitoresca e espectral a que foi antiga morada de Lina Bo e Pietro Maria Bardi. Além disso, a mostra inclui uma reconstituição escultural do pátio suspenso, na escala 1:2.

Com curadoria de Markus Richter, a união da Casa de Vidro e do pavilhão de Fehn deixa claro os interesses comuns de ambos arquitetos. O uso escultórico do concreto armado, o interesse pela reabilitação de projetos e a preocupação com a integração entre prédios e contexto paisagístico são algumas das semelhanças entre Bo Bardi e Fehn. Isso é corroborado pelas construções nas quais árvores do entorno se introduzem dentro dos espaços, formando uma espécie de jardim interno.

O diálogo entre os artistas separados por milhares de quilômetros é evidenciado no seminário gratuito Casa de Vidro. Lina Bo Bardi em Diálogo com Sverre Fehn, que acontece em 27/1, no mesmo local da exposição. O arquiteto e professor associado Zeuler Lima, a artista Kellndorfer, o professor emérito Per Olaf Fjeld e o curador Richter participam da conversa.

Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi (Foto: Reprodução)

Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi (Foto: Reprodução)

As aproximações entre Fehn e Bo Bardi não só acontecem no plano arquitetônico. A polivalência de Lina Bo Bardi já é conhecida. Além de ter projetado quase uma dezena de importantes construções brasileiras, ela dedicou-se ao design, à cenografia, à edição de revistas, à curadoria de museus e exposições e até ao estilismo. Por isso, a mostra também compara os famosos cavaletes de vidro da arquiteta com os elementos de parede modulares de Fehn, que, por sua vez, dedicou-se mais à arquitetura, com a realização de mais de cem projetos.

A ampla exposição dedicada à construção de vidro de Lina Bo Bardi se completa com uma mostra paralela que analisa diferentes casas de vidro realizadas por arquitetos noruegueses como Arne Korsmo, Ove Bang e Geir Grung, entre outros, antes e depois da II Guerra Mundial. Além disso, a partir de julho, acontecem visitas guiadas nas duas exposições.

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The National Museum – Architecture (Foto: Reprodução)

 

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