Lisboa: Uma cidade para ser descoberta

Depois de ter sido "descoberta" pelo turismo global como um dos melhores destinos europeus, chegou a hora de a capital portuguesa ganhar visibilidade internacional no mercado de arte

Cristiana Tejo

N° Edição: 30

Publicado em: 10/06/2016

Categoria: Colunas Móveis

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Cristiana Tejo (Foto: Divulgação)

Depois de ter sido “descoberta” pelo turismo global como um dos melhores destinos europeus, chegou a hora de a capital portuguesa ganhar visibilidade internacional no mercado de arte. A primeira edição da ARCO Lisboa (que marca também a expansão da conceituada feira de arte de Madri) traz reforços para revelar ao mundo uma cena artística vibrante, diversificada, discreta, intelectualmente rigorosa e em pleno processo de internacionalização. A ARCO Lisboa acontece entre 26 e 29/5 e reúne 40 galerias. O formato pensado para o evento respeita a escala tanto da cidade quanto do seu meio de arte e concentra-se em projetos individuais de artistas por galeria, além de ativar um roteiro que possibilita que colecionadores, curadores, artistas e interessados possam experienciar a cadência lisboeta.

A lenta retomada econômica portuguesa tem animado investidores locais e estrangeiros, conservando ainda as condições que têm atraído artistas e curadores europeus e latino-americanos para se estabelecerem em Lisboa: baixo custo de manutenção, ótima qualidade de vida, excelente infraestrutura, bom clima e posição geográfica estratégica.

Entretanto, é importante salientar que o novo momento econômico ainda não trouxe de volta os milhares de jovens portugueses que emigraram. Portanto, podemos pressupor que a grande atração exercida pela principal cidade portuguesa seja mais pela situação que os imigrantes encontram em suas terras de origem do que propriamente pelas grandes oportunidades oferecidas.

Hangar, centro de exposições residenciais, artísticas e curadorias (Foto: Divulgação)

Hangar, centro de exposições residenciais, artísticas e curadorias (Foto: Divulgação)

Entre 2008 e 2015, anos mais agudos da crise, foram mantidos alguns fomentos para o campo da cultura, a exemplo da verba de apoio a espaços independentes que propiciaram a continuação ou a emergência de novas iniciativas e do orçamento para a internacionalização da arte portuguesa. A manutenção de dinheiro público e privado nacional e internacional assegurou certa capilaridade do circuito artístico local, equilibrando grandes instituições como Calouste Gulbenkian, Coleção Berardo e Culturgest e projetos experimentais de vários matizes.

Um dos espaços que resistiram às flutuações econômicas dos últimos tempos foi a Associação Maumaus – Centro de Contaminação Visual, entidade atuante desde 1992 que engloba a prestigiosa Escola de Artes Visuais, uma residência artística, a Editora Maumaus e o espaço expositivo Lumiar Cité. Trata-se de uma iniciativa sólida que investiga questões relacionadas aos estudos pós-coloniais e que participou da 29a Bienal de Arte de São Paulo. Grande parte dos projetos relevantes na atualidade, entretanto, iniciou-se a partir de 2009. O Carpe Diem localiza-se na casa do Marquês de Pombal e acolhe trabalhos artísticos que respondem ao espaço e à história do prédio. O Largo das Artes, por sua vez, alicerça-se numa proposta de partir do rico entorno da Mouraria e Intendente, bairros repletos de imigrantes para gerar suas atividades, como, por exemplo, jantares comunitários com seus artistas residentes e os vizinhos.

No Hangar – Centro de Investigação Artística há espaços de trabalho para artistas locais e estrangeiros, além de uma galeria e ambiente para atividades discursivas. A Kunsthalle Lissabon busca trazer para Lisboa artistas jovens que já circulam internacionalmente, colocando a cidade no mapa mundial da arte. The Barber Shop, projeto que foi ancorado numa antiga barbearia, ganhou ares nômades há dois anos e continua uma agenda experimental e afiada de discussões. Assim como a cidade às margens do Tejo, seu circuito não se revela de primeira e nos pede para adentrar em seu ritmo denso, vagaroso e surpreendente.

Cristiana Tejo é curadora independente, doutoranda em Sociologia (UFPE) e cofundadora do Espaço Fonte – Centro de Investigação em Arte. Foi diretora do Mamam, no Recife, e curadora de artes visuais da Fundaj

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