Longa ‘Pacificado’ ganha Concha de Ouro na Espanha

Festival de Cinema de San Sebastián dá três prêmios para filme brasileiro

Paula Alzugaray, de San Sebastián
Paxton Winters recebe Concha de Ouro pelo filme Pacificado, realizado em uma colaboração criativa de sete anos com moradores do Morro dos Prazeres, no Rio (Foto: Pedro McCardell)

O longa-metragem Pacificado (2019), do diretor Paxton Winters, ganhou neste sábado 28 a prestigiada Concha de Ouro, prêmio máximo do 67º Festival de San Sebastián, no País Basco, Espanha, além de outros dois troféus: Melhor Ator para Bukassa Kabengele, pelo seu papel de um antigo chefe de tráfico de drogas que regressa à comunidade depois de 14 anos detido, e Melhor Fotografia, para Laura Merians. 

Diretor Paxton Winters recebe Concha de Ouro no 67º Festival de San Sebastián (Foto: Lisa Muskat)

Com Débora Nascimento, Cassia Nascimento, Lea Garcia e José Loreto no elenco, o filme conta com Beto Villares, na Trilha Sonora, e Ricardo van Steen assinando Production Design, responsável por todo o visual do filme, desde a maquiagem e figurino, até a supervisão de fotografia e arte. 

Rodado na comunidade do Morro dos Prazeres, no Rio, em 2017, o filme é o segundo longa-metragem do diretor norte-americano Paxton Winters.  Acompanha a trajetória de Tati (Cassia Nascimento), uma garota de 13 anos, que luta para se conectar com seu pai, Jaca (Bukassa Kabengele, Melhor Ator no festival), depois que ele é libertado da prisão, na esteira turbulenta das Olimpíadas do Rio. Enquanto a Polícia de Pacificação (UPP) ocupa temporariamente as favelas do Rio, Tati, Jaca e Andrea (Débora Nascimento), ex-mulher do ex-chefe do tráfico dos Prazeres, navegam por forças conflitantes, que ameaçam inviabilizar sua esperança de futuro. 

Nascido de uma colaboração criativa de sete anos entre a comunidade do Morro dos Prazeres e o escritor/diretor Paxton Winters, o filme tem entre suas maiores qualidades a escuta e o olhar subjetivo dos conflitos da vida no Morro. Winters viveu durante cinco anos nos Prazeres e escreveu o roteiro a seis mãos com Wellington Magalhães, morador da comunidade, e o documentarista norte-americano Joe Carter, que também viveu no Brasil por muitos anos, realizando diversos projetos relacionados ao crime organizado. O longa Pacificado revela, portanto, muito da atuação de Paxton Winters como documentarista. 

  • Cassia Nascimento, Darren Aronofsky, Paxton Winters e Débora Nascimento (Foto: Paula Alzugaray)
  • Paxton Winters (Foto: Paula Alzugaray)
  • Bukassa Kabengele (Foto: Paula Alzugaray)
  • Débora Nascimento, Bukassa Kabengele, Ricardo van Steen e Joe Carter (Foto: Paula Alzugaray)
  • Da esq. para a dir., Cassia Nascimento, Débora Nascimento, Paxton Winteres e Bukassa Kabengele (Foto: Paula Alzugaray)

“Sou, em primeiro lugar, um ouvinte de histórias e, depois, um contador de histórias. Mas talvez a melhor definição seja um ‘canal de histórias’ ou um ‘condutor de histórias’”, diz Winters a seLecT. “Tudo se resume a um processo. O processo começa com escutar e observar. Depois, faço muitas perguntas – isso vem da minha experiência jornalística/ documental. Depois, tento encontrar os temas e verdades universais nessas histórias para poder traduzi-las de maneira que possa atrair um público mais amplo. Esperançosamente, para pessoas que nunca teriam acesso a esse mundo”, diz. 

Co-produção de Darren Aronofsky (diretor de Cisne Negro, Mãe!, Noé, entre outros), Lisa Muskat, Paula Linhares e Marcos Tellechea, o filme ainda não tem data prevista de lançamento no Brasil. Mas terá sua primeira exibição pública no País na Mostra de Cinema de São Paulo, em outubro. Reserve a data!

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