Maratona de longa distância

Paula Alzugaray

Publicado em: 03/02/2015

Categoria: Editorial, SeLecT#22

A nova edição da seLecT aborda o universo dos curadores: quem são, o que pensam, o que fazem e por que precisamos deles

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Em seu projeto de acompanhar a produção artística e intelectual contemporânea e contribuir para a informação e a formação do público de arte, seLecT dedica sua 22ª edição a um dos agentes centrais desse sistema: o curador.

Se até o início dos anos 1990 as exposições eram concebidas por historiadores da arte, diretores de museus ou comerciantes, hoje ninguém dá um passo sem consultar um curador. O termo caiu na boca do povo. Quem antes era organizador, coordenador ou programador – na televisão, na gastronomia ou na música – hoje é curador.

Com tantos formatos emergentes de curadoria, depois de décadas de supremacia dessa profissão, o Fogo Cruzado desta edição pergunta: O curador é dispensável? “O curador é uma necessidade desnecessária”, reafirma o artista Artur Barrio o que já havia escrito nas paredes de uma de suas instalações. “Eles enfrentam enormes pepinos e descascam abacaxis”, lembra Leda Catunda, que experimentou o gostinho da curadoria no ano passado, escrevendo texto e colaborando na organização de uma exposição do colega Leonilson. Cercamos o assunto de vários lados. Entre as resenhas, destacamos a arrojada proposta curatorial da primeira mostra do Masp sob nova direção, capa desta edição.

Angélica de Moraes faz uma análise crítica e relacional dos projetos curatoriais da Trienal Frestas de Sorocaba e da 31a Bienal de São Paulo, e Mario Gioia aponta a qualidade do trabalho da jovem curadora Galciani Neves para o projeto C.Lab da Galeria Blau Projects. Tivemos ainda o privilégio de trabalhar com um time especial de colaboradores, formado por… curadores.

Christine Mello trouxe para as páginas da seLecT seu projeto galeria expandida, comissionando três artistas para interagir com a revista. Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias editaram os portfólios, escrevendo sobre artistas que vêm acompanhando nos últimos anos. Dos Anjos editou o portfólio de Clara Ianni, com quem diz compartilhar o interesse sobre “a representação de situações de despossessão radical, que já resultou numa mostra (Cães sem Plumas) e vai se desdobrar em outros projetos”. Quando vemos pesquisas – curatoriais e artísticas – coincidirem dessa forma, confirma-se a imagem do curador como “sócio do crime” e colaborador próximo do artista, que Jochen Volz (curador da próxima Bienal de SP) declara em entrevista a Márion Strecker.

O leitor terá ainda o privilégio de conhecer o foco atual da pesquisa de outros dez curadores ativos hoje no Brasil, abordados na reportagem Curador-etc., onde descobrimos que, além de organizar exposições, eles teorizam, exercem a crítica de arte, escrevem livros, orientam artistas, documentam, historiografam, cantam, dançam etc.

Dado o fôlego desta lista, fiquemos com a declaração de Patrícia Verderesi, colecionadora e aluna do curso de curadoria do Senac, no texto de Sandra Tucci sobre a educação do curador: “A formação em curadoria deve ser encarada como uma maratona de longa distância, não uma corrida de 100 metros”.

Bons treinos.

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