Movidos a força artística

Com edições em que se encontram olhares diversos, às vezes divergentes, a revista seLecT dedica sua 43ª edição a Coletivos

Paula Alzugaray
ruangrupa, o coletivo indonésio que assina a direção artística da Documenta 15, em foto de Saleh Husein

Tomo emprestada para o título do editorial da seLecT #43 a definição que o coletivo OPAVIVARÁ! dá ao combustível de seu TRANSPORTE COLETIVO – os triciclos conectados que circularam pelo centro do Rio durante o Viradão Carioca, em 2010 –, para afirmar o que nos move a fazer esta revista. Força artística!

É sintomático que o Prêmio que a seLecT recebe hoje da Associação Brasileira de Críticos de Arte pelo seu trabalho de difusão das artes visuais na mídia em 2018 chegue neste momento, coincidindo com uma edição que celebra o coletivo. Este prêmio é para o núcleo duro que atuou na seLecT em 2018, formado por Márion Strecker, Ricardo van Steen, Luana Fortes, Laila Rodrigues, Hassan Ayoub. O prêmio é também para a editora convidada da edição Arte e Sexo (#41), a artista Dora Longo Bahia, para as equipes guerreiras da Editora Acrobática e da Editora Três, para a parceira Giselle Beiguelman, que deu estrutura aos primeiros passos, para os colaboradores das quatro edições elaboradas no ano passado. Acima de tudo, é o reconhecimento de oito anos de territórios percorridos, que envolveram algumas centenas de cabeças pensantes.

Uma revista é um coletivo de ideias! Nossos temas – palavras-chave em torno das quais nos reunimos – funcionam, por que não, como os enredos escolhidos pelas escolas de samba e pelas turmas de bate-bolas, que figuram num ensaio fotográfico desta edição: correspondem aos assuntos que fornecerão os referenciais narrativos visuais e simbólicos para o processo editorial. Nossas edições temáticas (43 pautas de discussão até hoje!) são lugares de encontro de olhares diversos. Às vezes divergentes.

Com a ideia de fluidificar e expandir os limites desse coletivo seLecT, inventamos, já no número 0 da revista (junho de 2011), a seção Coluna Móvel. Para nos certificarmos de que não nos acomodaríamos falando apenas com e para os nossos pares. Definimos esse espaço fixo para autorias mutantes, onde já escreveram psicólogos, cientistas sociais e políticos, físicos, romancistas, historiadores, pesquisadores, arquitetos… E, claro, críticos de arte.

A circulação e a circularidade são prerrogativas do nosso projeto editorial. Mas é muito bom ver voltar às páginas da revista vozes conhecidas, como, por exemplo, o coletivo MEXA, que esteve conosco na edição Gênero, com um projeto especial, e agora retorna respondendo à pergunta-chave: por que junto é melhor que separado?

A gente concorda com os grupos, coletivos, organizações e comunidades que integram esta edição: junto é melhor que separado! Por isso compartilhamos a alegria de fazer esta revista – e de vê-la se firmar como fórum de ricos debates – com todos os nossos colaboradores, leitores, patrocinadores, apoiadores, parceiros, agregados e famílias expandidas.

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