Na poeira das ruas

No segundo episódio de ceLesTe, Barbara Marcel e Renata Lucas discutem o processo de revitalização da região portuária do Rio

Da redação

Publicado em: 08/10/2021

Categoria: Destaque, Rádio Celeste

Neste episódio, que integra a segunda temporada de celeste, as artistas Barbara Marcel e Renata Lucas discutem o processo de revitalização da região portuária do Rio e problematizam a construção de um jardim nos moldes franceses dentro de um espaço de herança africana e o embranquecimento dos edifícios e do entorno do território hoje conhecido como Pequena África.

Vivendo em Berlim desde 2009, Barbara Marcel escolheu o Jardim Suspenso do Valongo, construído em 1906 na encosta do Morro da Conceição, como objeto de pesquisa de mestrado, já que, diferentemente de tudo que acompanhava na Alemanha, com um extenso debate sobre a “política da memória”, a artista via nas obras promovidas pelo prefeito Pereira Passos uma espécie de apagamento da memória da cidade e de sua herança africana – o Cais do Valongo foi porto de chegada de mais de 1 milhão de escravizados. Assim, a videoinstalação Entre o Morro e a Rua, um Jardim, de 2004, questiona a vontade do Rio de Janeiro de se tornar uma cidade europeia, pondo em prática uma ideia de controle e vigilância do espaço público.

  • Still da videoinstalação Entre o Morro e a Rua, um Jardim (2004) (Foto: Cortesia da artista)
  • Still da videoinstalação Entre o Morro e a Rua, um Jardim (2004) (Foto: Cortesia da artista)
  • Still da videoinstalação Entre o Morro e a Rua, um Jardim (2004) (Foto: Cortesia da artista)
  • Still da videoinstalação Entre o Morro e a Rua, um Jardim (2004) (Foto: Cortesia da artista)
  • Still da videoinstalação Entre o Morro e a Rua, um Jardim (2004) (Foto: Cortesia da artista)

No mesmo ano de lançamento deste trabalho, também, Renata Lucas questionava o processo de implantação do Porto Maravilha, que buscava a revitalização da região, por meio de uma série de intervenções que ganhou o título de Museu do Homem Diagonal. As instalações temporárias criavam um caminho diagonal – literal e metafórico – na paisagem urbana. Em um galpão abandonado, por exemplo, a artista promoveu cortes na estrutura do edifício para criar duas portas giratórias e colocar em diálogo o lado de dentro e de fora da arquitetura original. As peças contaram também com a participação de ambulantes que haviam sido deslocados de seu espaço em decorrência das reformas – no projeto de Lucas, eles vendiam hologramas criados especialmente pela artista.

  • Museu do Homem Diagonal (Foto: Cortesia da artista)
  • Museu do Homem Diagonal (Foto: Cortesia da artista)

A segunda temporada de celeste é uma parceria com o Instituto Inclusartiz. Nina Rahe assina pesquisa, entrevistas e roteiro. Meno Del Picchia é responsável pelo roteiro, produção musical, finalização de áudio e locução. A identidade visual foi criada por Ricardo Van Steen, com design de Nina Lins, e a direção editorial é de Paula Alzugaray.

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