Narrativas tagueadas

Pollyana Ferrari

Publicado em: 24/01/2012

Categoria: Colunas Móveis, Reportagem

A mudança do jornalismo digital para o jornalismo semântico e tagueado traz aflições e também novas perspectivas

Baby-ipad

“Uma revista é um iPad que não funciona”

Doze horas após o anúncio da morte de Steve Jobs, no dia 5 de outubro, o Twitter já contabilizava mais de 4,5 milhões de tuítes gerados à menção de seu nome. Para estabelecer uma comparação, o mesmo período da morte de Osama Bin Laden gerou 2,2 milhões de tuítes registrados pela empresa de monitoramento de redes sociais Sysomos.

A Apple, que quase foi decretada falida há dez anos, hoje é a maior empresa de tecnologia do mundo e vai entrar para a história, juntamente com Steve Jobs, seu fundador, por ter transformado usuários em estações de mídia.

O falecimento de Jobs também gerou muita atenção no Facebook, o que mostra que o leitor imersivo das redes sociais vai tecendo sua narrativa enquanto define seus fluxos ou plataformas. A mensagem postada por Mark Zuckerberg (Rest in peace, Steve. We love you, your legacy will live on forever, and you’ll always be in our hearts #RIPSteveJobs) recebeu quase 290 mil curtir e foi compartilhada por 21 mil usuários, segundo a empresa de monitoramento Miti. A hashtag “RIP Steve Jobs” chegou ao primeiro lugar dos Trending Topics na noite de seu falecimento. #ThankYouSteve apareceu em terceiro, seguida de termos como #iSad, iHeaven e iCloud – uma referência aos produtos da Apple que começam com “i” (algo como euTriste, euCéu e euNuvem).

Essa narrativa social, informativa e feita pelo usuário tornou-se possível graças aos avanços da comunicação 2.0, baseada em tags e computação em nuvem.

O que estamos assistindo é a uma migração vertiginosa da narrativa impressa e imagética para a narrativa semântica e, nesse contexto, a mudança do jornalismo digital, embasado na mídia impressa, para o jornalismo semântico e tagueado traz aflições e também novas perspectivas. O ritmo quando escrevemos no computador ou tocamos a tela é o mesmo do pensamento. Isso acelera a escritura e transforma o mundo da leitura.

Nada mais convincente do que flagrar uma nativa digital, de 1 ano de idade, tentando manusear uma revista impressa. Isso acontece no vídeo com o sugestivo título A Magazine Is an iPad That Does Not Work (acima) e nos faz perceber que a mudança cognitiva em curso no jornalismo será profetizada pela geração Z.

*Publicado originalmente na edição impressa #3.

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