Nova realidade econômica das instituições artísticas

Na profunda crise econômica global, agentes do mercado de arte debatem meios de enfrentar a competição por financiamento

Paula Alzugaray

Publicado em: 19/06/2020

Categoria: Da Hora, Destaque, Mercado de Arte

Screenshot da apresentação de Adriano Picinati di Torcello no seminário International Art Market: Trends, Ways and Means of Action (Foto: Leandro Muniz)

O seminário International Art Market: Trends, Ways and Means of Action, promovido pelo Consulado-Geral de Luxemburgo em São Paulo e a Belgalux e com mediação de Daniel Rubim, acertou em reunir três agentes diametralmente diversos: um consultor de arte e finanças internacional, um presidente de museu paulistano e colecionador; um diretor de galeria internacional instalada em São Paulo.

Enquanto o primeiro, Adriano Pincinatti di Torcello, consultor da Deloitte Luxembourg – em seu afã de produtividade e eficiência em não perder nem um instante dos 15 minutos que lhe foram concedidos – palestrou como uma metralhadora sobre as relações entre arte, finanças e investimentos, enumerando as macro trends da arte hoje – sustentabilidade, digitalização, globalização, democratização, entre outros –, o segundo, o colecionador Jorge Landmann, perdeu a oportunidade de pensar como os conceitos de arte e ecologia; ou arte e sustentabilidade se relacionam e poderiam auxiliar na direção do museu no qual é presidente. Em vez disso, estourou o tempo regulamentar, remetendo-se aos modo como se consumia arte na Grécia antiga e como se fazia patronato no Renascimento, para então brevemente introduzir o modelo de fundraising do Museu Brasileiro de Escultura E Ecologia (MuBE), “majoritariamente vindo de associados, os Amigos do Museu” e citar a relevância das leis de incentivo locais, sem problematizá-las. Ao traçar a linha curatorial do museu, Landmann também expôs alguns dos limites da própria instituição, como a pequena coleção, formada basicamente por doações dos próprios artistas. 

Screenshot do seminário Art Market: Trends, Ways and Means of Action, promovido pelo Consulado-Geral de Luxemburgo em São Paulo e a Belgalux (Foto: Daniel Rubim)

Akio Aoki representou a ponte entre os dois mundos. O diretor da Galleria Continua São Paulo expôs como uma galeria comercial pode tomar para si o desafio de ter metas tanto comerciais quanto institucionais e sociais. Em curta e eficiente explanação, Aoki falou sobre a cessão que a galeria fez de seu espaço no Estádio do Pacaembu às equipes ambulatoriais do hospital de campanha montado ali para o tratamento de doentes da Covid-19, e apresentou suas ideias de como engajar colecionadores na missão de colocar a arte pública nos espaços das cidades brasileiras, inclusive fora dos grandes centros comerciais e turísticos. 

Além disso, Aoki ainda chamou a atenção para um dado incontornável da realidade brasileira que deve ser encarado de frente por qualquer agente artístico e cultural local, seja galerista, curador, diretor, colecionador ou consultor: apenas 20% dos brasileiros já entraram em um museu. 

Já di Torcello, em sua veloz explanação sobre mecanismos para fazer investimentos em arte de maneira segura, foi bastante perspicaz em resumir uma preocupação que aproxima não apenas a todos os palestrantes, mas certamente a todos os que assistiam à conferência via Zoom: A fim de desenvolver os acessos à arte e à educação, temos que pensar em novos e dinâmicos modelos de aproximação das esferas pública e privada, para enfrentar a competição global por financiamento.

Screenshot da apresentação de Adriano Picinati di Torcello no seminário International Art Market: Trends, Ways and Means of Action (Foto: Leandro Muniz)

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