Novos museus universitários

Em 2016, seis museus de arte foram inaugurados em universidade públicas e privadas nos EUA

Felipe Stoffa
Distrito artístico da Universidade de Stanford, na Califórnia (Foto: Tim Griffith/ Anderson Collection, Stanford University)

Ao longo das últimas décadas, universidades públicas e privadas dos Estados Unidos vêm investindo sistematicamente no aprimoramento de currículos voltados às artes e a cultura. As maiores instituições de ensino superior do país estão financiando novos museus e sediando coleções. Somente no ano de 2016 foram seis museus universitários inauguradas em território norte-americano. É o que aponta a matéria recente publicada pelo site The Art Newspaper.

Acompanhando essa mentalidade, tradicionais escolas de elite como Columbia, em Nova York, e Rice, no Texas, investiram milhões de dólares para se equipararem à concorrência que já possui museu próprio, como Stanford, na Califórnia; Harvard, em Massachusetts; e Yale, em Connecticut. Os motivos estão intimamente ligados ao reconhecimento de que a arte e a criatividade serão atividades vitais para as próximas gerações, por sua influência direta na agilidade do pensamento.

Artes para além da arte
Desde 2006, a Universidade de Stanford construiu três edifícios que abrigam atualmente um distrito artístico dentro de seu campus – sendo um deles projetado para receber uma coleção de arte americana do pós-guerra. Esse complexo arquitetônico é acompanhado de uma mudança curricular: todo estudante deve realizar, ao menos, uma disciplina de expressão criativa, independente do curso escolhido. “Stanford analisou que as artes e a criatividade são vitais para a próxima geração de empreendedores, pessoas com capacidade para entender diferentes perspectivas, o que significa trazer algo de novo para o mundo”, comentou Matthew Tiews, diretor Associado para o Desenvolvimento das Artes da Universidade.

Esses jovens distritos artísticos são formulados para abrigar exposições de alto padrão e estimular a pesquisa acadêmica, além de aproximar seus estudantes do universo cultural, resgatando disciplinas que antes eram vistas como conteúdos extracurriculares e periféricos de uma educação formal. No caso de Stanford, alunos de medicina dispõem de um passeio pelas esculturas de Auguste Rodin a fim de realizarem estudos minuciosos de anatomia.

Para as universidades de Rice; Columbia; Duke, na Carolina do Norte; Princeton, em New Jersey; e Virginia Commonwealth, em Richmond, o calendário de 2017 já conta com a inauguração de museus próprios, entre os meses de fevereiro e outubro.

O caso brasileiro
O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), é um dos maiores exemplos de museus de arte comandados por universidades brasileiras. A instituição, entretanto, é um caso excepcional no País, por ter um setor curatorial formado por professores e pesquisadores integrantes do corpo docente da USP, permitindo atividades voltadas à integração entre ensino, pesquisa e extensão cultural.

Outras instituições, como o Museu Dom João VI da Universidade Federal do Rio de Janeiro; e a Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, também possuem acervos de arte coordenados pelos docentes das respectivas universidades. Entretanto, esse quadro de profissionais não permite que seus professores exerçam uma atividade curatorial permanente, já que são rotativos.

Fora da esfera pública, faculdades privadas como a Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo, e a UNIFOR, em Fortaleza, possuem museus que abrigam importantes coleções privadas e mantém atividades curriculares que dialogam com o universo das artes e o mundo acadêmico.

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