O corpo explorado a bisturí

Nova individual de Lia Chaia acontece na Vermelho junto com recorte de 18 trabalhos realizados entre 2010 e 2016

Ana Abril
Camuflagem (2017), de Lia Chaia (Fotos: Divulgação)

Pulso, nova individual da paulistana Lia Chaia, chega à Vermelho escoltada por um recorte de 18 trabalhos realizados entre 2000 e 2016. O corpo é ator principal na maioria das obras expostas na galeria, e é anatomicamente analisado e confrontado às pressões sociais em trabalhos recentes, como Pôster (2017). Partindo de mapas de anatomia humana, a artista interfere na disposição natural do corpo ao espalhar células e órgãos humanos, levantando reflexões sobre a insipiência da morfologia humana. Em Articulações (2017), se produzem inversões entre estrutura e superfície: globos e plaquetas representam a exterioridade enquanto telas de nylon cinza, como se de peles se tratassem, se transformam na armação do corpo.

Faces (2016), de Lia Chaia

A performance em vídeo volta na produção mais recente de Chaia com Faces (2016), no qual a artista rodeia sua cabeça de máscaras e cria um ser multifacetado. Esse perturbador retrato de uma sociedade ao mesmo tempo alienada e atenta é um dos trabalhos que mais chamam atenção em Pulso.

O distanciamento entre o homem e a natureza também é outro dos aspectos tocados pela artista, enfatizando novamente o papel do corpo. Camuflagem (2017), duas fotografias, combate esse afastamento reunindo o ser humano e a natureza em uma mesma unidade orgânica. É também através da arte do click que é registrada a ação Pele (2017), um embate entre o humano e o urbano com um marcante papel da natureza, que serve como epiderme de proteção.

Uma vez desvendada a sétima individual de Lia Chaia, é possível ter um panorama da carreira da artista na Sala Antonio. Nela, trabalhos como Big Bang (2000 ), Um.bigo (2001), Circulando Pinheiros (2002), Cidade Pictórica (2003), Comendo Paisagens (2005), Minhocão (2006), Ascensão (2008), Rodopio (2009) e Skeleton Dance (2010) são projetados em sequência cronológica. Nesses trabalhos acontece um desenvolvimento formal, que vai acompanhado da evolução tecnológica das câmeras, como demonstra o vídeo Glam (2010). Por outra parte, Aleph (2013) é o primeiro trabalho em que a artista permanece atrás das câmeras, filmando Fabíola Salles realizando a ação sob sua direção. Outro destaque é a homenagem ao artista Geraldo de Barros, em Para GB (2015).

Pele (2017), de Lia Chaia

 

A questão da cidade, evidenciada nos trabalhos realizados em 2017, já é antecipada em Bolas (2016), uma performance filmada em que a artista percorre a cidade envolvida em bolas transparentes. “O vídeo Bolas (2016), registra o percurso do corpo da artista agigantado pelo acúmulo de bolas, remetendo a ações cômicas de um clown e devolvendo ao corpo-pedestre certa espontaneidade, humor e proteção”, afirma Priscyla Gomes em texto realizado para a exposição É como Dançar sobre a Arquitetura, no Instituto Tomie Ohtake.

Serviço
Pulso e Mostra Lia Chaia
Vermelho
Rua Minas Gerais, 350 – São Paulo
Até 26/8
www.galeriavermelho.com.br

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