O espaço da crítica

seLecT reafirma a função crítica de publicações de arte e dedica sua 37ª edição ao estado atual da crítica de arte no Brasil

Paula Alzugaray
Objeto de Paulo Bruscky que estampa a capa da edição 37 da seLecT

A revista de arte é espaço da reportagem de arte, da reflexão sobre arte e, em casos especiais, de intervenções artísticas. Periodicamente, seLecT convida artistas a intervir em suas páginas e nesta edição temos as participações de Fernanda Chieco e Bruno Moreschi. Chieco realiza a sexta edição do projeto de múltiplos colecionáveis, com a obra Trafficking for Time Trade. Moreschi criou, especialmente para a seLecT, uma versão do panfleto A História da _rte, um levantamento de dados que mostra o cenário excludente da história da arte estudada no País.

Mas é preciso reafirmar que a publicação de arte é também espaço da crítica e este é, definitivamente, o caso de seLecT, que endossa essa função dedicando a totalidade de sua 37ª edição ao estado atual da crítica de arte no Brasil.

Começamos por indicar ao leitor as revistas referenciais da arte e da crítica internacional hoje, na opinião de três leitores especialistas: o curador e crítico Tobi Maier, a gestora cultural Ada Hennel e o editor e curador Benjamin Seroussi. Seguimos por investigar os mecanismos da construção do texto crítico, consultando um grupo de profissionais, na seção Fogo Cruzado, sobre a importância, ou não, da interlocução direta com o artista para o processo da escrita.

As correspondências entre crítica e curadoria, e entre crítica e história, também são aqui iluminadas. No primeiro caso, contamos com a colaboração de Bernardo Mosqueira, que concebeu uma curadoria sobre a história e a atualidade da crítica institucional. Quando o foco é a linha de sucessão direta entre crítica e história, temos a reflexão de Michelle Sommer sobre a busca pioneira de Mário Pedrosa em inserir narrativas indígenas e afro-brasileiras na história da arte brasileira.

Contamos ainda com um texto sobre o projeto pedagógico das pesquisadoras Ana Magalhães e Ana Avelar, que criaram para a casa seLecT um corpo de cursos que propõem a montagem e a desmontagem da história da arte contemporânea brasileira, a partir de relatos críticos diversos, que dialogam entre si.

Paulo Bruscky, “o artista que escreve”, segundo a redatora-chefe Márion Strecker, que usou a Arte Correio a serviço da informação, do processo e da denúncia, também tem sua atividade crítica representada em capa e portfólio desta edição. Assim como Regina Vater, cuja obra ganha nova leitura à luz do pensamento sobre questões de gênero.

Para ampliar as redes críticas, convidamos o Canal Contemporâneo a selecionar dez críticas fundamentais da última década. A relação pode ser consultada em www.select.art.br/dezanosdecritica. E para reforçar nosso compromisso não apenas com a informação e a reflexão, mas também com a invenção, criamos a seção de Autocrítica. Enquanto Daniela Labra e Leno Veras se lançam ao desafio da autocrítica sobre as próprias curadorias, o filósofo francês Georges Didi-Huberman, que em entrevista afirma não ser capaz de escrever um texto crítico que tivesse como objeto a sua exposição Levantes, nos dá lenha para pensar o papel das publicações: “A exposição é menos que um texto. É algo que desaparecerá dentro de três meses, é uma experiência. E o texto existirá para sempre”.

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