O fim do virtual

Publicado em: 25/08/2011

Categoria: cultura digital, Reportagem

Vivemos mediados por redes socias, como o Twitter e o Facebook, e a internet é um dos palcos privilegiados de mobilização política. Não há dúvida. A era do virtual ficou na primeira década do século. O real engole tudo e nos põe no centro de redes interconectadas acessíveis.

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Fomos ciborguizados pelos celulares, uma espécie de ponto de conexão permanente que expande nossos corpos para além do aqui e nos insere em um tempo de eterno agora.

Giselle Beiguelman

Telas de diferentes portes e com novos recursos remodelam as noções do espaço doméstico e da privacidade. Aplicativos de Realidade Aumentada inserem camadas de informação no ambiente urbano e redefinem o espaço público. Os materiais dos objetos que nos rodeiam são frutos de equações químicas que e as pessoas são remodeladas em centros cirúrgicos que nos transformam em compostos de botox, silicone, carne e sangue. A qualquer momento teremos nosso DNA disponível no Google. Nossa comida nasce em laboratórios e os cientistas nos prometem um mundo povoado de clones e seres artificiais. Vivemos mediados por redes socias, como o Twitter e o Facebook, e a internet é um dos palcos privilegiados de mobilização política. Não há dúvida. A era do virtual ficou na primeira década do século. O real engole tudo e nos põe no centro de redes interconectadas acessíveis. 

Falar no fim do virtual não quer dizer apostar numa volta ao mundo analógico. Ao contrário, significa assumir que as redes se tornaram tão presentes no cotidiano e que o processo de digitalização da cultura é tão abrangente que se tornou anacrônico pensar na dicotomia real/virtual. O mundo da Internet das Coisas já se anuncia no presente, prevendo que todos os objetos do cotidiano estarão conectados.

Não chegamos ainda nessa escala de interconectividade, que deixará nos arquivos da história a definição de internet como uma rede mundial de computadores.Mas ela deverá ser atualizada em breve como rede mundial de computadores, pessoas, geladeiras e tudo mais que nos cerca.
Enquanto a Internet das Coisas não se impõe, a rápida evolução das aplicações, que envolvem nanotecnologia, sensores e sistemas de redes sem fio, confirma a sua probabilidade.

O uso cada vez mais comum de etiquetas inteligentes baseadas em códigos de barra com grande capacidade de armazenamento de informações, como o QR-Code, é um indicador preciso desse processo de coisificação das redes. Escaneadas pela câmera do celular, por meio de um programa leitor de código, essas etiquetas expandem as informações contidas na legenda de um quadro em um museu, por exemplo, adicionando conteúdos em vídeo, links e textos, que são apresentados na tela do aparelho.

Antigo telefone com câmera, o celular se transforma,agora, em um controle remoto de cidades interativas um órgão de visualização do que os olhos não veem. Exagero? Não. Basta pensar na popularização dos aplicativos relacionados à Realidade Aumentada. No seu próprio nome esse tipo de tecnologia parece trazer embutido o atestado de óbito da era do virtual. Trata-se de um processo que suplementa o mundo físico com informações, fazendo com que objetos virtuais e reais coexistam no mesmo espaço. Hoje, com celulares equipados com programas específicos
combinados ao GPS do aparelho, é possível visualizar informações que acrescentam dados a um local determinado, por meio de animações em computação gráfica que se superpõem, em tempo real, às imagens enquadradas pela câmera.

Parece ficção científica, mas não é. Campanhas publicitárias, jogos e sites de serviços, escolas, laboratórios de diagnóstico e a indústria da moda têm feito uso sistemático de seus recursos. O sucesso desse tipo de tecnologia é fruto da aproximação que promove com os sentidos humanos. Afinal, como diz o designer indiano Pranav Mistry, do Six Sense Lab do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts): “Integrar as informações aos objetos do cotidiano não só vai nos ajudar a eliminar o abismo digital, mas também nos ajudará de alguma forma a nos manter humanos, a estar mais conectados com o nosso mundo físico. E nos ajudará, na verdade, a não ser máquinas sentadas na frente de outras máquinas”. Etiquetas com QR-Code ou Realidade Aumentada, portanto, fazem mais do mateque converter seu celular em um mix de lente de aumento com visão de raio X. Elas confirmam uma antiga hipótese aristotélica: o homem é um ser político. Seu lugar é a polis. A cidade, a rua. Não o escritório.

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