O puxadão do Masp

O anexo do museu será mais um clássico de horror da arquitetura kitsch paulistana

Angelica de Moraes

N° Edição: 8

Publicado em: 13/12/2012

Categoria: A Revista, Crítica

Tags: , , ,

O anexo do museu será mais um clássico de horror da arquitetura kitsch paulistana

Há certos fenômenos que, apesar dos objetivos heroicos que o inspiraram, acabam sucumbindo pela ausência de estofo para sua execução. Algo assim como um garnisé tentando anunciar a alvorada. Soa falso, esganiçado. É o que acontece com o prédio, em adiantado estado de adaptação, situado ao lado direito da fachada principal do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

O projeto é de autoria do arquiteto Júlio Neves, que ocupou a presidência do museu de 1994 a 2008 e ainda se mantém oficiosamente no núcleo decisório da instituição. Neves é autor de pelo menos outras duas marcas indeléveis do kitsch mastodôntico paulistano: o prédio do falido Banco Santos, em estilo quadradão apedeuta, e o neobrega ex-templo do consumismo, a Daslu. Ambos símbolos, aliás, de um modo de ganhar dinheiro que acabou nas malhas da Justiça e da Receita Federal.

Há quem diga que a audácia é atributo dos que ignoram a profundidade do abismo que pretendem vencer. O abismo, no caso, é a estreita ruazinha que separa a atual obra comandada por Neves do talento de Lina Bo Bardi ao desenhar o museu que é patrimônio mundial da arquitetura moderna e um dos símbolos da cidade de São Paulo. Há escassos metros entre a inteligência visual da caixa de vidro suspensa por vigas vermelhas daquela que é sua contrafação: a torre do anexo do Masp.

Com uma “tampa” transparente no estilo jarra-de-acrílico-para-suco, ele é um “puxadão” vertical de um edifício de fachada eclética (protegido pelo patrimônio do município) que, na prática, foi submerso por um lifting arquitetônico.No topo/tampa do anexo haverá bar, restaurante
e cafeteria panorâmicos. Abrigará uma escola, talvez terceirizada, o que anularia a experiência de décadas da Escola do Masp. Terá também a parte administrativa do museu, liberando áreas expositivas para a sede.

Entre altos e baixos, há bons objetivos em meio ao joio da execução. Quando, ó céus, será deletada a breguice arquitetônica que infesta São Paulo e, por espelhamento arrivista, a especulação imobiliária  do patropi? Precisamos muito.

Crítica publicada na originalmente na #select8

Artigo anterior:
Próximo artigo:

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicações Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.