O q faço em conjunto

Nara Roesler abre exposição de Hélio Oiticica com instalação inédita e trabalhos desenvolvidos em colaboração

Felipe Stoffa
Hélio Oiticica e Antonio Manuel - A Arma Fálica, Fotonovela (Foto: Divulgação)

Em 1970, ao regressar de uma viagem em busca de jovens artistas latinoamericanos e intrigado pela Tropicália, movimento que fervia a cena cultural do Rio de Janeiro, o então curador do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa), Kynaston McShine, envia uma carta para Hélio Oiticica, convidando o jovem artista a realizar uma exposição no museu que constituiria a mostra aberta no mesmo ano, Information. “Escrevo para dizer que seria uma honra se você pudesse criar um dos ‘ambientes’”, enfatiza McShine. Após uma série de correspondências, Oiticica havia planejado produzir um trabalho inédito, em parceria com o artista argentino Lee Jaffe. A obra, entretanto, permaneceu apenas como um projeto que foi guardado e nunca concretizado. Em seu lugar, Oiticica apresentou o trabalho Nichos (1970).

Foi também neste mesmo ano que Oiticica escreve Barracão, uma reflexão sobre a qualidade participativa de seu trabalho que enfatiza a necessidade de pensar a cultura brasileira fora de um eixo em que ela se mostre como uma repressão à sociedade. O escrito sugere um aprofundamento, ou a evolução, nas palavras do artista, do projeto raíz-Brasil, que estruturou sua obra Parangolé (1964).

Hélio Oiticica vestindo Parangolé (Foto: Divulgação)

Hélio Oiticica vestindo Parangolé (Foto: Divulgação)

Com inspiração no texto e enfocando a ideia do fazer coletivo da poética de Oiticica, a Galeria Nara Roesler apresenta a exposição Barracão. A curadoria, assinada pelo sobrinho de Hélio, César Oiticica Filho, resgatou as plantas originais do projeto que seria apresentado no MoMa em 1970 e abre, pela primeira vez ao público, a instalação Information (1970/2016). Além da obra inédita, a mostra tem como foco apresentar apenas trabalhos produzidos em parceria com outros artistas, principalmente com os amigos próximos Antonio Manuel e Neville d’Almeida, ressaltando o caráter revolucionário e aglutinador de seu pensamento e obra. “Ele tinha esse ideal de produção coletiva, democrática e teve vários parceiros nesse sentido. Tinha esse espírito”, diz César Oiticica. A síntese desse pensamento se dá justamente nos Parangolés, como complementa o curador: “Tem a ver com fantasia, samba, carnaval, o parangolé sozinho não existe”.

Responsável pelo acervo de Hélio Oiticica há cerca de 20 anos, César Oiticica entende que remontar um trabalho até então nunca exposto é um desafio, principalmente ao se tratar de um artista em que a preocupação com o espaço era uma característica fundamental de sua obra. “É uma exposição que traz novas questões, inclusive museológicas, para a obra dele”, comenta, reconhece também que nenhuma outra mostra tenha se desdobrado inteiramente a partir das pesquisas de Hélio. “É uma semente. Estamos começando a nos debruçar sobre o Barracão, que foi a própria vida dele”.

Hélio Oiticica e Neville d'Almeida - Cosmococa 2, 1973/1974 (Foto: Divulgação)

Hélio Oiticica e Neville d’Almeida – Cosmococa 2, 1973/1974 (Foto: Divulgação)

Serviço
Barracão | Hélio Oiticica
Galeria Nara RoeslerAvenida Europa, 655, Jardim Europa, São Paulo
De 3/9 até 5/11
De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 15h
Tel.: (11) 3063 2344

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