O que você mudaria no futebol?

Paula Alzugaray

Publicado em: 13/05/2013

Categoria: Fogo Cruzado, Reportagem

Sete boleiros, ex-boleiros, admiradores platônicos ou desapaixonados revelam seus sonhos para o futuro do mais popular dos esportes

Georgetti

Ugo Giorgetti – cineasta

O que eu mudaria no futebol não posso mudar, pois teria de mudar a mim mesmo. Eu me mudaria imediatamente no garoto que fui lá pelos anos 50, que jogava futebol como um possesso. Se pudesse mudaria isso. Em vez do circunspecto senhor que assiste futebol sentado, enquanto outros jogam, eu daria tudo para estar no campo outra vez. Qualquer campo. Campos bem cuidados, malcuidados, terrenos baldios, ruas sem calçamento. A recordação de certas tardes em que o jogo só terminava quando não se podia mais ver a bola é uma experiência que insiste em reaparecer como um velho e doce fantasma.

Person

Marina Person – jornalista

Eu mudaria os uniformes. Quando vejo aqueles VTs antigos, do futebol das décadas de 50, 60 e 70, eu acho tão elegante! Primeiro, aqueles shortinhos curtos, e não esses calções enormes que os jogadores usam hoje em dia, que mal deixam ver as pernas. As camisas, então, sem comentários, eram de algodão com o emblema do time, apenas, lindas! Hoje as camisas são desse material sintético, que dizem ser melhor para a respiração da pele, mas parecem um varejão de marcas e logos dos patrocinadores. Eu acho uma cafonice essa mania de colocar nome da empresa em tudo que é lugar.

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Nuno Ramos – artista visual e escritor

A coisa anda tão maluca que tenho de frisar que desejo é só desejo, e o que vou dizer, é claro, não é uma sugestão concreta. Não quero tirar o emprego de ninguém, mas realmente fico exausto com os comentaristas de jogos. Gostaria de um sursis que obrigasse as transmissões a não terem nenhum comentarista por um período x. Tenho uma saudade danada de quando era menino, nos anos 70, e via os jogos pela tevê, o locutor apenas enumerando o nome dos jogadores. O futebol precisa de um minuto de silêncio.

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Moacir do Anjos – curador e crítico de arte

Faz quase 25 anos que não piso em um estádio de futebol. Desisti talvez por tédio ou por não tolerar a intolerância das torcidas (organizadas ou não, seja de que time forem), que com frequência descambam para a violência absurda. Nesse exercício de imaginação desmedida, mandaria os cartolas para a cadeia e os que ainda fossem inocentes para o chuveiro. Jogador algum ganharia mais que professor, mas professor ganharia bem mais que hoje em dia. Seguindo a opinião de minha filha Helena (que, a despeito de meu exemplo, gosta de futebol), acabaria com a lei do impedimento. Se futebol é mesmo arte, impedir pra quê?

Marcos

Marcos Augusto Gonçalves  – jornalista

Gostaria de ser teletransportado para o gramado do Estádio Sarriá, na Espanha, no dia 5 de julho de 1982, e gritar para o Júnior se adiantar e deixar o ataque italiano em impedimento, no fatídico lance do terceiro gol de Paolo Rossi. Daria, assim, uma nova chance para aquele time cumprir seu verdadeiro destino, que era ser campeão do mundo.

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Marcelo Rubens Paiva – escritor

Eu faria como no futebol americano, cada time tem direito a duas revisões de decisões do árbitro, podendo até consultar a tevê. Como tudo hoje em dia: hiperconectividade.

Canetti

Patrícia Canetti – diretora do Canal Contemporâneo

Eu aplicaria a dinâmica de rodízio do voleibol, aquele mais radical, em que todos os jogadores passam por todas as posições, mas sem aguardar pela marcação de um ponto, no caso, um gol. De forma aleatória, um sinal tocaria e seria a deixa para cada jogador avançar uma posição e passar a atuar nela. Isso exigiria outros talentos dos jogadores e tornaria o jogo mais criativo e divertido. Uma maneira de resgatar a alegria da pelada.

*Publicado originalmente na edição impressa #11, com ilustrações de Raul Aguiar.

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