O segredo da sala

O que escondem as salinhas fechadas dos stands na SP-Arte? seLecT perguntou às galerias e conta tudo

Luciana Pareja Norbiato

Publicado em: 08/04/2016

Categoria: Da Hora, Mercado de Arte, Notícias Quentes

Obras guardadas na sala privativa da galeria Silvia Cintra + Box 4

Nem todos têm, mas quem tem costuma fechar a porta a chave. Ostensivas ou estrategicamente posicionadas num cantinho escondido dos stands da SP-Arte (assim como de outras feiras), lá estão as salinhas onde as galerias guardam de tudo um pouco, de obras a materiais corriqueiros. Vez por outra, a porta é aberta a algum visitante, mas são poucos os que têm direito a acessar esses espaços misteriosos. O que eles guardam?

A carioca Silvia Cintra, dona da galeria que leva seu nome, vai direto ao ponto: “Trago obras escolhidas para clientes específicos”, contou à seLecT. Isso quer dizer que, já sabendo o gosto de seus clientes contumazes, Cintra faz uma pré-seleção com destino certo, uma forma de posicionar bem seus artistas junto a colecionadores de peso. “Tem cliente que chega e já pede: ‘me leva pra casinha'”. A sala, localizada num ponto discreto do stand, tem sua porta trancada à chave. Junto das obras, ficam também pertences da equipe da galeria.

Localização estratégica: quartinho da Silvia Cintra + Box 4 fica num canto do stand. De porta fechada, é quase imperceptível

Localização estratégica: quartinho da Silvia Cintra + Box 4 fica num canto do stand. De porta fechada, é quase imperceptível

Obras e objetos pessoais da equipe de Silvia Cintra

Obras e objetos pessoais da equipe de Silvia Cintra

Para um galerista que preferiu não se identificar e neste ano não tinha uma sala privativa em seu booth, a estratégia é duvidosa. “Para mim, os galeristas escondem nessas salinhas as obras de suas coleções, peças históricas, ou de artistas que eles não representam e querem vender na feira. Acho bem esquisito, porque todo mundo tem o storage da própria feira”. Há dois anos, o mesmo galerista tinha uma salinha dessas no stand, mas diz não se lembrar.

Como os booths emulam cubos brancos, a exemplo de seus espaços expositivos originais, muitas galerias mantêm os quartinhos privativos para guardar livros, materiais de escritório e objetos pessoais de funcionários e galeristas sem bagunçar a exibição das obras, como a Galeria Nara Roesler. A equipe declarou à seLecT que apenas no exterior a galeria mantém trabalhos nesses pequenos depósitos, confirmando a prática ao redor do mundo.

Compradores conversam com vendedor da Fortes Vilaça em lounge no stand da SP-Arte

Compradores conversam com vendedor da Fortes Vilaça em lounge no stand da SP-Arte

A Galeria Fortes Vilaça, pensando em dar mais conforto aos seus clientes, fez de sua salinha um aconchegante lounge para permitir que vendedores e compradores escutem-se melhor, isolados do burburinho que se eleva alto nos corredores da feira. Perguntado pela seLecT se o espaço seria uma espécie de sala vip, Alexandre Gabriel, diretor da galeria, desconversa: “Não tem nada de vip. A porta fica aberta, é apenas um espaço para os clientes ficarem mais à vontade, com menos barulho.” Nas paredes, é claro, obras selecionadas, como uma extensão do stand.

Quem abandonou declaradamente a estratégia foi a Lisson Gallery, de Londres. De olho na crise e com medo de uma possível queda nas vendas, a galeria decidiu fazer seu espaço totalmente aberto e à vista de possíveis novos compradores. Na seleção de seu stand, inclusive, a orientação foi trazer peças com valores mais convidativos. Sem declarar preços, a galeria traz entre os artistas nomes como Tony Oursler, Daniel Buren e Anish Kapoor. Será que a redução de preços é boa o bastante para atrair colecionadores incipientes?

 

 

 

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