O Sol mora na Vila Madalena

A exposição, com curadoria de Alexandre da Cunha, é um convite à liberdade em tons de amarelo

Carla de Albuquerque

Publicado em: 11/06/2022

Categoria: Da Hora, Destaque, Reviews

ÚLTIMO DIA Vista da exposição SOL, em cartaz na Marli Matsumoto Arte Contemporânea

O Sol, sim, ele mesmo, o astro rei estabeleceu morada definitiva na Vila Madalena, bairro da zona oeste da capital paulista, em agosto do ano passado.

Desde então, vem fazendo bom uso da sua capacidade de agregar para construir calorosas relações na vizinhança repleta de espigões que não conseguem abafar, muito menos esconder, a luminosidade do nobre vizinho.

A casa escolhida foi uma construção dos anos 1970 que, além de residência, foi também clínica médica, mas há um tempo estava vazia, na espera de um nobre inquilino.

A morada passou por uma reforma interna e externa para receber o astro rei e ganhou o nome de Marli Matsumoto Arte Contemporânea.

A Marli Matsumoto Arte Contemporânea é uma galeria de arte que abriu suas portas fora do circuito já conhecido dos Jardins, do centro, e da própria Vila Madalena. 

Esse projeto da historiadora e galerista Marli Matsumoto não é apenas a sua galeria de arte, é um espaço das artes. Não é trabalho apenas solo, é trabalho que se abre e acolhe o coletivo. Por exemplo, convidou Rita Mourão, descolecionadora de livros de artista e idealizadora do Projeto Desapê, para fazer a curadoria/ocupação de uma bela estante localizada em uma das salas.

A agenda de programação da Marli Matsumoto Arte Contemporânea já contabiliza cinco exposições, o lançamento de uma edição ilustrada pela jovem artista Camile Sproesser do clássico Macunaíma, de Mário de Andrade, dentro das comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, e a performance O Corpo à Beira da Crise, de Élle de Bernardini.

Neste gélido outono paulistano, o astro rei não deixa de brilhar nem de aquecer todos que visitam a sua casa, a Marli Matsumoto Arte Contemporânea, onde está em cartaz a exposição SOL, com curadoria do artista brasileiro, residente em Londres, Alexandre da Cunha.

A exposição SOL é um convite à liberdade, é um convite para flanar suavemente pelas salas, pelo jardim e entre as 48 obras, de 24 artistas, em que o curatorial recorte predomina na escolha de obras amarelas.

É um convite para admirar a conversa entre Alexandre Canônico, artista paulista de Pirassununga, residente no Reino Unido há mais de 20 anos, com o nonagenário Maciej Babinski, polonês que imigrou para o Brasil em 1953, onde ainda permanece, e o acreano, já falecido, Francisco da Silva.

Essa interessante conversa envolve duas pinturas, óleo sobre tela, uma de Babinski, outra de Francisco da Silva, com os os dois trabalhos feitos com tinta spray sobre MDF melamínico – um composto plástico usado na indústria de móvel – branco de Alexandre Canônico. 

Quando Francisco da Silva pintou o quadro, um icônico galo, em 1972, Alexandre Canônico não era nem nascido, e Babinski já tinha um currículo admirável.

Três artistas gigantes, de diferentes gerações, de diferentes aprendizados, de diferentes vivências construindo uma história, e, o melhor, nos convidando a participar.

Outra linda prosa acontece entre as máscaras feitas sobre biscoito de polvilho e linho, pintadas com cúrcuma – cor, aroma, sabor, a mais pura alquimia -, do jovem artista e chef de cozinha brasileiro Michel Scherer com o quadro Alchimie 371 (2017), tinta acrílica sobre tela de 100 x 100, de um dos grandes mestres da arte óptica e cinética, Julio Le Parc.

O grande barato dessa exposição é que o espectador é convidado o tempo todo a interagir com todas as possibilidades de narrativas, além de poder criar outras.

De acordo com as previsões meteorológicas, o fim de semana paulistano será frio e chuvoso, mas quem acabou de ler esse texto descobriu que o Sol mora na Vila Madalena.

Então vai lá se aquecer, se divertir, se encantar. 

SERVIÇO
SOL, curadoria Alexandre da Cunha; de 2/4 a 11/6; sáb., das 11h às 15h
Marli Matsumoto Arte Contemporânea (Rua João Alberto Moreira, 128)

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