A outra cara das Olimpíadas

Exposição do artista Bruno Faria mostra cinco trabalhos relacionados com o lado obscuro da competição esportiva

Ana Abril

Publicado em: 10/08/2016

Categoria: Da Hora, Destaque, Notícias Quentes

Marca (2010), de Bruno Faria, trabalho realizado durante residência artística em Barcelona

Os efeitos colaterais às Olimpíadas têm sido tema de diversas reportagens na mídia nacional e internacional: a expulsão de moradores de suas casas para construir os prédios olímpicos, o aumento das emissões de carbono durante os jogos, o incremento dos preços de ítens básicos e a posterior especulação imobiliária, acompanhada da gentrificação.

Sobre este lado obscuro das Olimpíadas versa a exposição Assalto Olímpico, formada por cinco trabalhos inéditos realizados por Bruno Faria. As obras foram desenvolvidas em uma residência artística realizada em Barcelona, em 2010.

Tudo teve início quando o artista pernambucano pisou a cidade espanhola, antiga sede dos Jogos Olímpicos, e conversou com os catalães. Lá, Faria deparou-se com a mesma fala: os Jogos de 1992 mudaram a cidade de Barcelona. Prova disso, afirma Faria, é a infraestrutura turística que a capital possui atualmente. “Os impactos das obras realizada para as Olimpíadas em Barcelona, em 1992, foram o eixo da minha pesquisa, algo semelhante ao que o Rio está sofrendo por conta dos Jogos”, explica Faria.

Detalhe do trabalho Marca (2010), de Bruno Faria

Detalhe do trabalho Marca (2010), de Bruno Faria

Efetivamente, a leitura dos trabalhos focados na cidade de Barcelona pode ser exportada a qualquer cidade-sede dos Jogos. Marca, por exemplo, é uma obra que mostra os cinco anéis olímpicos gravados sobre a parede, deixando profundas marcas na superfície. As marcas fazem referência aos estragos deixados pela importante competição esportiva. Uma placa mostrando o número de pessoas despejadas de suas casas assim como informações relacionadas à especulação imobiliária compõe o trabalho com um olhar empírico. Os dados referem-se às cidades de Barcelona (1992), Atlanta (1996), Sydney (2000) e Pequim (2008) e também há estimativas de Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016).

Vila Olímpica (2010), de Bruno Faria, em exposição no Centro Cultural São Paulo

Vila Olímpica (2010), de Bruno Faria, em exposição no Centro Cultural São Paulo

Vila Olímpica é outro trabalho formado por quatro capturas de tela de um vídeo que mostra a implosão de um prédio residencial para criar a Vila Olímpica no bairro de Poblenou, em Barcelona. Segundo o relato de Faria, as famílias desse edifício (todas de baixa renda e filhos de migrantes) receberam passagens para visitar seus familiares no sul da Espanha, em Andaluzia. Durante a viagem, receberam ligações contando que suas casas já não estavam mais de pé. A exposição Assalto Olímpico pode ser visitada até 30/10, no Centro Cultural São Paulo (CCSP).

Serviço
Assalto Olímpico
Centro Cultural São Paulo (CCSP)
Rua Vergueiro, 1000, Paraíso – São Paulo
Até 30/10
De terça-feira a sexta-feira, das 10h às 20h; sábados e domingos, das 10h às 18h

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