Ouvir estrelas

Na semana em que a existência do “som do universo” é provada pela ciência, pesquisa da artista Chiara Banfi sobre vibrações emitidas por minerais ganha particular encanto

Paula Alzugaray

Publicado em: 15/02/2016

Categoria: Crítica, Da Hora

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Linha Melódica, de Chiara Banfi (Foto: Edouard Fraipont)

Semana passada, no dia 12 de fevereiro, a ciência festejou uma grande descoberta: confirmou a teoria das ondas gravitacionais de Albert Einstein e, consequentemente, a existência do “som do universo”, previsto pelo cientista há 100 anos.

Mas foi antes disso que a artista Chiara Banfi olhou para os astros do céu à procura de vibrações que não podemos ouvir. Isso aconteceu por volta de 2011, quando outro marco científico aconteceu: uma sonda espacial gravou pela primeira vez na história o som de um cometa. A serie de sons divulgados pela ESA (Agência Espacial Européia) precisou ser editada para ser postada no YouTube, já que as ondas emitidas oscilavam entre as frequências de 40 e 50 milihertz, muito abaixo do que o ouvido humano pode captar. Para isso, as frequências foram aumentadas em 10 mil vezes.

Baseada na premissa de que sons são vibrações eletromagnéticas que são liberadas por matérias celestes ou terrestres, Chiara Banfi iniciou uma pesquisa sobre o som dos minerais. Outro dado decisivo para a definição desse espectro de trabalho foi a descoberta de que a ponta da agulha de toca-discos é feita de Quartzo. “Fiquei na dúvida entre elaborar um experimento na linha científica, buscando extrair o som das pedras, mas preferi pensar em seguir o caminho de uma sinfonia silenciosa”, diz Banfi a seLecT.

O resultado dessa pesquisa sobre oscilações não percebidas pelos sentidos humanos é Notações, sexta individual da artista na Galeria Vermelho, em São Paulo.

Aqui, Quartzo Rosa, Quartzo Branco, Turmalinas Negras e Obsidianas (mineral vulcânico) são conectados e tensionados por meio de cabos RCA, cordas e tarraxas de contra-baixo, formando uma vasta coleção de objetos que se aproximam a pautas, partituras e instrumentos musicais.

Em homenagem ao compositor Claude Debussy, que afirmou que a música é o silêncio entre as notas, Banfi elaborou não apenas a série de desenhos Estudos de Debussy (2016), mas todo o conceito da exposição, que gira em torno de pausas e silêncios repletos de sonoridades.

Serviço: Chiara Banfi – Notações, até 12/3, Galeria Vermelho, SP

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