Paço segue sem sede, ex-prédio segue vazio

Cerimônia que oficializou a transferência do espaço para o Butantan não trouxe realizações concretas desde desocupação em abril

Luciana Pareja Norbiato

Publicado em: 29/06/2016

Categoria: Da Hora, Destaque, Notícias Quentes

Pelo que se anunciou na cerimônia de transferência oficial do antigo prédio do Paço das Artes para o Instituto Butantan, tudo continua como antes no espaço localizado na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo. O centro de artes visuais, um dos únicos com foco em pesquisa, difusão e incentivo de artistas e curadores contemporâneos, foi desalojado de sua sede em abril deste ano para que no local fosse instalado um laboratório vinculado ao Instituto Butantan, destinado à pesquisa e produção de vacina contra dengue, zika e chikungunya.

Curiosamente, a despeito do caráter de urgência que acompanhou o pedido de devolução do edifício (que originalmente é do Instituto Butantan), o que se viu na cerimônia da tarde deste 29/6 (quarta-feira) foi uma sucessão de promessas de adaptação do prédio. A obra está cotada em R$ 25 milhões e a verba nem mesmo foi liberada para a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. De efetiva, apenas a realocação das atividades do Paço das Artes na Oficina Cultural Oswald de Andrade e no MIS, em caráter provisório.

Nem mesmo o projeto de adaptação do antigo prédio do Paço está aprovado: três escritórios de arquitetura (Eduardo de Almeida, Vigliecca & Associados e Grupo SP) terão suas propostas analisadas por uma comissão de profissionais do Butantan e pelos professores da FAU-USP Agnaldo Farias e Guilherme Wisnik. Como afirma o comunicado de imprensa da cerimônia, “as propostas deverão preservar a construção civil do prédio e envolver o desenho de laboratórios multiusuários e multifuncionais, que incluam áreas com altos níveis de biossegurança e espaços de integração entre as equipes que trabalharão nos laboratórios”.

Marcelo Araújo, Secretário de Estado da Cultura de São Paulo até 30/6 (quinta-feira) – quando deixa o cargo para assumir a presidência do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) – disse à seLecT que está em estudo a transferência do Paço da Artes em definitivo para a região do Bom Retiro, na área da Rua Tenente Pena, onde funcionou o antigo Desinfectório Central, em edifício pertencente à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Para Araújo, a iniciativa fortalece as atividades do projeto, já que o conecta com os demais equipamentos da região, como a Pinacoteca do Estado, a Sala São Paulo, a própria Oficina Cultural Oswald de Andrade e o Memorial da Resistência (Estação Pinacoteca).

O problema é que, a despeito da cerimônia de transferência, não há nenhuma realização concreta ou data de entrega especificada tanto do projeto de adaptação do prédio da USP quanto da implantação do Paço das Artes no Bom Retiro. Embora a proximidade do edifício da USP e do Butantan tenha sido considerada na escolha, a saída do Paço gerou um duplo problema. De um lado, para justificá-la, é preciso que os órgãos competentes do Governo do Estado de São Paulo levem a cabo a adaptação do complexo projetado por Jorge Wilheim, cujo prédio ocupado anteriormente pelo Paço é só uma parte, e cujas características originais são de um complexo destinado às artes em geral. De outro, é preciso encontrar uma nova sede para o Paço. A manobra criou a necessidade da criação de dois espaços de funcionalidades específicas, em vez de um.

A mudança de gestão da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, ainda não anunciada (teria sido recusada pelo presidente nacional do Partido Verde, José Luiz de França Penna; e há indícios de que foi aceita pelo atual diretor do MIS, André Sturm), complica o quadro. No momento, o futuro do Paço das Artes – e de uma possível sede fixa – é incerto.

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